A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 21/08/2020

O Dia Mundial contra o Abuso de Drogas, 26 de junho, foi proposto pela ONU (Organização da Nações Unidas) objetivando conscientizar a população global sobre essa temática. No cenário atual brasileiro,  o uso e abuso de drogas constituem um dos mais importantes problemas de saúde pública. Diante desse panorama, se discute sobre a internação involuntária de dependentes químicos, que apresenta um lado positivo, já que essas pessoas não reconhecem que precisam de ajuda, e um lado negativo, pois, se não feito corretamente, retoma um passado de hospitalizações desnecessárias.

A priori, deve-se entender que a internação sem consentimento da pessoa a ser tratada é em parte positivo, já que, devido à gravidade da situação, eles não estão aptos para decidir por si próprios sobre o tema. De acordo com levantamento feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar que é dependente químico, gerando uma proporção de para cada 1 usuário existente, há mais quatro pessoas que são afetadas. Sendo assim, a hospitalização dos que adquirem o vício, mesmo sem consulta, é importante já que eles receberão tratamento médico e psiquiátrico, além de não se tornarem grandes ameças aos familiares, amigos e outras pessoas da sociedade.

Entretanto, se a ideia não ocorrer com planejamento e métodos adequados, a internação pode desenvolver um aspecto negativo, pois retoma características de décadas obscuras do Brasil. A exemplo, tem-se o Hospital Colônia de Barbacena, transformado atualmente no Museu da Loucura, onde pessoas eram aceitas para internação sem reais necessidades e com auxílio de documentos falsificados, pois desobedeceram o marido ou possuíam alguma deficiência. Desse modo, antes de uma decisão concreta ser aplicada para a sociedade, o processo de hospitalização precisa ser seguro e confiável, pois, apesar de ser uma atitude para a segurança do dependente e dos demais, essa ideia não pode se contaminar a ponto de retomar práticas abusivas de antigas clínicas.

Em suma, a internação involuntária de dependentes químicos no Brasil apresenta pontos positivo e negativos. Dessa forma, é dever do Ministério da Saúde oferecer procedimentos seguros para a internação, por meio de contratação de profissionais especializados, construção de clínicas adequadas e um processo de avaliação feito por mais de um médico, objetivando a entrada e estadia digna para todos os internados, assim episódios como o de Barbacena não ocorrerão no século XXI. Ademais, é dever do Ministério da Educação abordar esse tema com os jovens, por meio de diálogos com alunos, pais, professores e profissionais de saúde, objetivando uma conversa prévia e profunda sobre o mundo da dependência, assim a internação não ocorrerá, pois não haverá consumo de drogas.