A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 18/08/2020
A humanidade em sua história já enfrentou e venceu diversas epidemias, tais como peste bubônica, varíola e gripe espanhola, porém, a dependência química e suas complicações ainda são um problema grave de saúde pública. Nesse prisma, a sociedade brasileira tenta resolver a problemática com a internação involuntária de dependentes químicos, entretanto evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange à questão que tem como fato gerador a busca por prazeres instantâneos e persiste devido à falta de clínicas humanizadas de tratamento.
É indubitável, nesse contexto, que a busca por prazeres instantâneos esteja entre as causas do vício em psicoativos. De acordo com o Hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Nessa perspectiva, a busca por prazer é justificada como o sentido da vida moral. No entanto, essa busca caracteriza-se como um agravador na questão do vício em drogas legais e ilegais no Brasil, atuando fortemente em sua base. Assim, a internação involuntária de dependentes químicos se torna necessária, pois, a falta de um planejamento racional e menos imediatista impede que o problema seja resolvido.
Outrossim, a falta de clínicas humanizadas de reabilitação no Brasil ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Por exemplo, o filme da diretora Laís Bodanzky, “Bicho de sete cabeças”, ilustra a vida de um rapaz que por estar em posse de uma pequena quantidade de uma droga ilegal, é internado em uma clínica e sofre inúmeros abusos no processo. Nesse sentido, é fundamental que haja uma avaliação rigorosa da necessidade de internação e que as clínicas sejam equipadas com profissionais que saibam lidar de maneira empática com os pacientes já debilitados fisicamente e emocionalmente. Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas no sentido de resolver a grave questão da internação involuntária de dependentes químicos.
Faz-se necessário, portanto, que o ministério da saúde invista na produção de clínicas de reabilitação humanizadas, essas clínicas devem, através de profissionais capacitados, fazer uma avaliação fundamentada sobre o real estado de necessidade do paciente. Além disso, deve-se contratar e treinar profissionais dispostos a lidar de maneira empática com os pacientes e manter relatórios diários, com o intuito de que ninguém fique na clínica mais que o necessário. Por fim é preciso que a sociedade brasileira olhe para a situação com mais empatia, pois, como descreve o poeta Leminski: “Em mim, vejo o outro”.