A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 19/08/2020

A Revolta da Vacina, ocorrida em 1904 no Rio de Janeiro, foi um movimento popular contra a vacinação da varíola obrigatória imposta pelo governo da época. Na atual situação brasileira, a imposição de uma lei que garante a internação involuntária de dependentes químicos vai contra o direito de liberdade de expressão, previsto na Constituição de 1988. Esse fator contribui para que a internação não tenha resultado positivo, além de afetar cada vez mais cidadãos.

Em primeira análise, a internação involuntária de dependentes químicos contribui para que essa não tenha um resultado satisfatório. De acordo com pesquisas da Casa de Saúde Saint Roman, cerca de 95% dos casos de internação sem a vontade do paciente acabam por trazer resultados negativos e o indivíduo ter recaídas. Tal situação mostra que essa alternativa não é eficiente, visto que, mesmo com o tratamento, a grande maioria dos dependentes voltam a usar drogas. Isso se apresenta pois sem o comprometimento e conscientização desses indivíduos, não haverá resultados promissores, o que compromete a saúde física e mental desses usuários.

Em segunda análise, os resultados negativos da internação involuntária acabam por afetar cada vez mais pessoas. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, mesmo que cada sujeito dentro de uma sociedade possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Logo, os cidadãos com dependência química acabam por afetar diretamente os grupos que estão ao redor, o que, além de comprometer a sua saúde física e mental, implica no bem-estar coletivo.

Portanto, torna-se necessária a participação do Poder Público para reverter a internação involuntária de dependentes químicos. Inicialmente, o Estado deve investir em programas de combate e distanciamento das drogas, dando acesso à cultura e educação a indivíduos em estado de vulnerabilidade social, por meio de ofertas de cursos gratuitos em todo o território nacional, com o intuito de diminuir o número de usuários de drogas no Brasil. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve criar ações de conscientização, com palestras acerca dos malefícios do uso de substâncias ilegais em centros educacionais, assim como com atendimento psicológico para os cidadãos que são vulneráveis, com o fito de reduzir o número de dependentes químicos e oferecer um bem-estar para todos os cidadãos.