A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 19/08/2020

“Bicho de sete cabeças”, filme dirigido por Laís Bodanzky, narra a história de um estudante internado em um hospital psiquiátrico pelo seu pai, que encontra maconha nos seus pertences.Nesta perspectiva, a narrativa ganha corpo na medida em que revela os abusos cometidos no sistema manicomial.De maneira análoga, a internação de dependentes químicos no Brasil, ainda apresenta entraves, seja pela estrutura precária das clínicas, seja pela dificuldade de reconhecer a necessidade de ajuda.

A priori, é válido salientar que a permanência de tal problemática se relaciona diretamente a dificuldade do dependente químico se conscientizar e aceitar a sua realidade.Conforme disse John Lennon “As drogas me deram asas para voar, depois me tiraram o céu”.Ou seja, em um primeiro momento a droga dá a sensação de poder tudo, no entanto, em um determinado momento a vontade de usar determinada substância vence a consciência e isso se torna um vício.Dessa forma, as células do fígado, assim como o sistema nervoso central se adaptam a essas toxinas e exigem uma quantidade cada vez maior de modo quase imperceptível para o paciente.Em uma situação como essa, a única opção que resta ao ente familiar é a internação involuntária dessa pessoa.Contudo, essa ação contraria o novo código de ética médica que respeita a dignidade da pessoa humana e valoriza a autonomia de vontade do indivíduo.

A posteriori, outro ponto relevante que dificulta a recuperação de quem sofre com esse transtorno é a falha governamental em investir em infraestrutura, fiscalização e especialização de profissionais da área.Segundo a OMS, dos 32,7 mil leitos disponíveis apenas 11,5 são para dependentes químicos, revelando uma insuficiência de estrutura para tratamento, sem qualquer regulamentação.Neste ínterim, fica claro que são poucas as clínicas que seguem a lei sobre internação de usuários de drogas, contrariando não somente a teoria sociológica, mas também a Constituição Brasileira de 1988.Além disso, violência, brigas, fugas e depredações regadas a sangue fazem parte da história de quase 30 mil pessoas, sendo 1,3 mil adolescentes de acordo dados do Governo Federal.Isso fica evidente quando são sedados e amarrados a força, em um contexto onde praticamente inexiste o acompanhamento médico, em que a impossibilidade de utilizar meios de comunicação colocam essas pessoas a margem do isolamento,

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. A fim de que todos que precisem tenham acesso e que esse ambiente cumpra o seu papel de ressocialização do indivíduo.