A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 20/08/2020

Conforme a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Brasil é um dos maiores utilizadores de drogas do mundo. Nesse viés, já que muitos usuários não percebem que precisam de tratamento, a internação involuntária de dependentes químicos é um mecanismo que propõe diminuir o número desses consumidores no país. Dessa maneira, é fundamental analisar: a forma egoísta que esse tratamento é visto pela sociedade, e a ineficiência dessa internação sem a resolução dos problemas sociais.

Em uma primeira abordagem, deve-se falar que no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, há uma alegoria usada pelo autor para criticar o egoísmo do ser humano, que cada dia se preocupa menos com bem-estar coletivo. Fora da narrativa, percebe-se que esse egoísmo também está presente no Brasil contemporâneo. Nesse sentido, diversos indivíduos que possuem familiares usuários de drogas, preocupados com “status social", veem a internação involuntária de dependentes químicos como uma forma de esconder sua realidade, e não como uma forma de ajudar o familiar. Nesse contexto, as instituições de tratamento são vistas por muitas pessoas como um “depósito”, onde os dependentes químicos poderão ser descartados. Diante disso, diversos indivíduos estão menos preocupado com bem-estar dos usuários, mas preocupados em mostrar uma ilusão de normalidade.        Em uma segunda análise, deve-se dizer que, segundo o filósofo Rousseau, “o Homem é um produto do meio, o qual ele está inserido”. Nessa perspectiva, é fundamental perceber que muitos dependentes químicos vivem em regiões de vulnerabilidade, onde o descaso governamental é evidente. Diante desse contexto, nota-se que diversos cidadãos possuem seus direitos constitucionais à saúde, à moradia e à educação tolhidos. Dessa maneira, muitos indivíduos usam a droga como um mecanismo de fuga de sua realidade. Nesse cenário, a internação compulsória desses consumidores, sem a solução dos problemas sociais que afligem esses cidadãos, podem não urgir o efeito esperado, pois eles continuaram a procurar nas drogas um mecanismo de fuga.

Portanto, a internação involuntária de dependentes químicos é uma realidade brasileira. Assim, é necessário que o Ministério da Saúde modifique a visão egoísta que muitas pessoas possuem dessa forma de internação, por meio de vídeos transmitidos nas redes sociais, informando a importância desse tratamento, para que exista uma maior preocupação com o bem-estar dos usuários. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve impedir que os indivíduos vejam a droga como uma forma de fuga, por intermédio do desenvolvimento e da aplicação de um projeto que assegure os direitos constitucionais nas áreas de vulnerabilidade, objetivando a eficácia dessa modalidade de internação. Dessa forma, o Brasil deixará de ser um dos maiores consumidores de drogas do mundo.