A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 19/08/2020

Na novela “o clone” ,exibida pela rede globo, a personagem “Mel” possui uma dependência química com as drogas, de modo que precise ser internada compulsoriamente pela família diversas vezes, pois ela perde seu autocontrole, colocando em risco sua própria vida. Fora da Ficção, esse entrave tem sido alvo de debates no Brasil, visto que a internação involuntária de usuários de dependentes químicos é a principal mudança da nova política sobre drogas. Desse modo, entender a urgência da conjuntura dessa substância e a autonomia estatal são essenciais para compreender essa situação.

A priori, vale ressaltar que a nova política de internação involuntária-proposta pelo governo atual- reflete no cenário improrrogável das drogas. Conforme O filósofo Bacon,o comportamento humano é contagioso – torna-se enraizado e frequente à medida em que se reproduz – o que pode ser observado no aumento de dependentes químicos, de forma que seja necessário o internamento involuntário. Essa ação, no entanto, não pode ser promulgada de maneira nociva ao indivíduo, visto que fere o princípio da dignidade humana, por isso é necessário um amparo da família ou do governo, de forma responsável. Ou seja, a internação sem consenso como ,política contra às drogas, deve ser vista como um direito à vida digna e saudável, mediante processo de desintoxicação. Logo, o fato da hiper vulnerabilidade de alguns dependentes químicos e a frágil condição psíquica, consequência do uso excessivo das drogas, os impedem de optarem voluntariamente e assim a medida estatal é eficaz.

Por outro lado, a recente política de drogas, a qual intervém na autonomia do homem, retrata a situação de menoridade dos dependentes químicos. Segundo John Locke, a maioridade humana dá-se mediante a autonomia de pensamentos e ações. Sendo assim, a menoridade reflete o oposto – um comportamento penoso e acrítico, passivo de intervenção e manipulação de outros.Tal ideia materializa-se na realidade da internação involuntária, posto que o indivíduo dependente químico, em geral, não reconhece a necessidade de buscar ajuda. Desse modo, o Estado age, buscando propiciar uma futura autonomia por intermédio da intervenção em uma situação de menoridade.

Portanto para resolver essa situação da internação involuntária dos dependentes químicos, cabe ao Ministério da Saúde e Educação promoverem debate acerca da nova política contra às drogas.Por meio da convocação de profissionais da área e a família para palestras nas comunidades, de modo que elucidem as medidas, como - internamento involuntário- mostrando como o sujeito perde seu autocontrole e por isso precisa de uma intervenção mais rígida, a fim dessa ação ser de maneira consciente.Ademais,o Estado precisa ter um programa de reintegração social para essa classe, por meio de oferecer emprego, tratamento terapêutico semanal, para não haver recaída dessas pessoas.