A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 21/08/2020

A Constituição Federativa de 1988 assegura que todos têm direito à plena prática das liberdades individuais e à saúde mental, assim como ao bem-estar físico. Entretanto, essa realidade torna-se distinta, quando são abordados assuntos graves como a dependência química, pois a internação involuntária é uma medida essencial e geralmente benéfica tanto para o dependente quanto para a sua família. Essa medida é utilizada no país para facilitar o tratamento, realizada apenas pela família do paciente ou pela justiça, sendo assim, recebe o nome de internação compulsória. Contudo, a omissão familiar e a negligência do estado influenciam diretamente sobre a problemática em questão.

Primeiramente, vale destacar que a omissão dos entes é uma das principais causas da dependência química do jovem. Isso ocorre porque, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, na pós-modernidade, as relações estão tornando-se muito superficiais, fato que gera carência de diálogos importantes na constituição do caráter individual e a consolidação dos relacionamentos familiares. Devido a isso, o indivíduo pode sentir-se solitário e sem metas para evolução pessoal, que o faz buscar refúgio nas drogas lícitas ou ilícitas que provocam submissão química.

Paralelamente a isso, o desânimo parental atrelado à negligência governamental também induz na quantidade de usuários de entorpecentes no Brasil. Dessa forma, segundo o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, as estruturas sociais são incorporadas durante o processo de socialização, por isso a internação involuntária passa a ser vista como a melhor forma de tratamento. Dessa maneira, os investimentos realizados em políticas públicas que propiciam modelos alternativos de previdência, como esportes e cultura em regiões desfavorecidas, e a reintegração de cidadãos na sociedade são escasso,  gerando falta de acolhimento social e psicológico.

A partir dos fatos supracitados, é evidente a necessidade da tomada de decisões que mudem o atual cenário vigente. Portanto, urge que o Ministério da Educação juntamente com as instituições educacionais realizem investimentos em profissionais especializados na área de saúde mental,como psicólogos, que promovam debates em palestras com pais e filhos sobre a ingestão das drogas e suas consequências, com o intuito de estabelecer uma relação mais afetiva entre eles. Além disso, é de fundamental importância que o Governo Federal em conjunto com o Ministério da Economia através de investimentos em projetos incitem a prática de esportes, cultura e educação, a fim de mitigar a dependência química.