A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 21/08/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todo ser humano deve gozar dos mesmos direitos e deveres. No entanto, os questionamentos acerca da  internação involuntária de dependentes químicos põe em xeque tais parâmetros, na medida em que há uma polarização de pensamentos em relação à legitimidade de tal ação. Todavia, é perceptível que em casos extremos de vício, a hospitalização da vítima, por terceiros, representa a única saída para a recuperação.

A priori, segundo a filósofa Hannah Arentd, a sociedade vivencia a era da " Banalização do Mal “, na qual o indivíduo torna-se um ser irracional que não reflete, criticamente, acerca das nuances sociais. A vista disso, é possível compreender um dos fatores que inviabiliza a reabilitação dos dependentes químicos, a falta de conhecimento e racionalidade, uma vez que boa parte da população e da família  não percebe a gravidade de tal problemática e a vulnerabilidade em que se encontra a vítima. Prova dessa incompreensão é a, errônea, crença popular de que todo ser submisso as drogas tem sempre autonomia para escolher o correto. Diante disso, fica evidente a banalização, posto que grande parcela da sociedade não entende que, a maioria, dos sujeitos viciados necessita de intervenções externas para recuperar o bem-estar e a dignidade, devido à debilidade em que se encontra.

Somado a isso, conforme a Constituição Federal é dever do poder governamental gerenciar o país em prol do bem-estar e desenvolvimento efetivo da nação. Entretanto, a precariedade e a falta de assistência aos dependentes químicos põe em xeque tais concepções, na medida em que existe  pouco espaço adequado para a internação de pacientes em níveis de extremo vício e incapazes de, voluntariamente, iniciar o tratamento. Diante disso, fica claro a relevância de uma administração eficiente por parte do governo, dado que,sem isso, torna-se impossível recuperar a saúde e a sanidade do grupo em questão.

Diante dos fatos supracitados, com o intuito de minimizar e reabilitar os dependentes químicos, de forma plausível para todos, cabe a sociedade/família e ao poder governamental a tarefa de elaborar mecanismos eficazes para solucionar ta empasse. Isso pode ser feito com a construção de áreas específicas e com a contratação de profissionais especializados, por parte do governo, que através da assistência e dos cuidados consigam reabilitar os pacientes, devolvendo, assim, a estabilidade e a dignidade dos seres. Ademais a sociedade deve proporcionar palestras e debates, públicos, com profissionais especializados, que com o diálogo, conscientizem a população e a família sobre a importância do tratamento para as vítimas e os efeitos negativos que as drogas causam, como a falta de lucidez; promovendo, com isso, ser mais sensatos e racionais.