A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 20/08/2020
O filme “O poço”, produzida pela Netflix, retrata um local semelhante a uma prisão, no qual os “detentos” não têm contato com pessoas do mundo exterior, o personagem principal, Greg, foi ao poço de forma voluntária na tentativa de parar de fumar. Saindo da ficção, muitos indivíduos na realidade tentam se livrar dos vícios químicos e diversas vezes é preciso uma espécie de “prisão” bem como uma internação involuntária para tais dependentes. Dessa maneira, é necessário entender a importância dessa ação bem como a negligência estatal no que tange à problemática.
É relevante, primeiramente, saber que a internação sem consenso dos entes dependentes químicos é de extrema importância, pois esses por estarem imersos nos efeitos dessas substâncias, não conseguem reconhecer a própria necessidade de buscar ajuda precisa. Esse fato, pode ser explicado pelo pensamento da filósofa Hanna Arendt, a qual teoriza que is setes ao estarem sujeitos a um poder coercitivo maior -as drogas-, cometem o mal sem perceber, naturalizando-o. No entanto, não percebem o mal que fazem consigo, sendo assim, necessário o internamento compulsório.
Além disso, nota-se o descaso governamental no que se refere à hospitalização de indivíduos que sofrem com o vícios em drogas legais e ilegais. Nesse contexto, como exemplo disso a rua, no estado de São Paulo, conhecida como Cracolândia, onde existem milhares de dependentes químicos, em estado desumano, fazendo daquele local, sua “moradia”. Desse modo, locais como esses são reflexo da escassa preocupação estatal acerca dessa problemática. No entanto, esses atos vão de encontro com a Constituição de 1988, no qual garante saúde e bem estar a toda sociedade.
Assim, para garantir que a internação involuntária de usuários de drogas seja bem-sucedida, é urgente que o poder Executivo, junto ao Ministério da Saúde, destine recursos para a construção de clínicas de reabilitação, capacitação de profissionais da saúde e centros comunitários com atividade e cursos profissionalizantes que visem a reinserção destes indivíduos na sociedade. Ademais, o Ministério da Educação deve promover palestras nas escolas, ministradas por profissionais da saúde, alertando os jovens quanto aos riscos do uso de drogas, com objetivo de prevenir e diminuir o número de casos no país.