A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 20/08/2020

Segundo dados do instituto Datafolha, aproximadamente 27% da população brasileira revelou possuir algum parente próximo envolvido com o consumo de drogas. Apesar de o assunto, infelizmente, ser comum a realidade brasileira, o tratamento que envolve a internação gera polêmicas, principalmente do tipo involuntária. Isso acontece devido ao questionamento da consciência do dependente químico e o respeito as suas vontades, mas também a busca pelo bem-estar social.

É relevante abordar, primeiramente, que as cidades brasileiras foram moldadas com o intuito de “varrer” para as periferias as mazelas sociais, assim cuidando apenas dos seus centros urbanos. Desde a chegada da família real Portuguesa no Brasil em 1808, pode-se observar um intenso processo de concentração urbana dos menos favorecidos nos subúrbios, tendo em vista que os moradores foram relocados para a melhor instalação dos Portugueses. Dentre os desprazeres causados pelo fenômeno, o uso de entorpecentes se tornou mais acessível nessas áreas de abandono do Estado, atraindo milhares de pessoas e formando um dos maiores problemas da atualidade. Essa dinâmica não é vista apenas nas classes inferiores economicamente, visto que o alto poder aquisitivo facilita a compra de drogas e torna a problemática homogênea em toda a sociedade brasileira.

Paralelo a isso, vale também ressaltar a importância da internação involuntária de depentes químicos a fim de amenizar a problemática. No livro “Quarto do Despejo” da autora Carolina Maria de Jesus, nota-se a condição de desamparo social a itens básicos e garantidos pela Constituição, gerando condições desumanas de vida. Sendo a dependência química um tipo de transtorno mental, o doente não está apto a optar ou não pelo tratamento, visto que não possui juízo racional para tal feito, sendo apenas pensante do uso contínuo da droga. Nesse sentido, para a garantia de melhores condições de vida e do bem-estar da sociedade brasileira, é válido a efetivação dessas internações.

É mister, portanto, que o Estado deve garantir a efetivação de sua Lei, visto que o não comprimento de tais regras é capaz de gerar diversos problemas sociais, dentre eles o consumo de drogas. Com o intuito de evitar o adentramento a esse submundo, é fundamental que a educação, a saúde, a cultura e arte estejam presentes tanto nos centros quanto nas periferias urbanas, suprindo as necessidades do ser humano e evitando a busca por outros complementos para aqueles direitos negados pelo Governo. A partir de verbas públicas, os Ministérios devem destinar a maior parte de seus investimentos para áreas menos privilegiadas. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover campanhas que incentivem os familiares a proporem o internamento involuntário. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para redução dos dados do Datafolha.