A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 20/08/2020

A Revolução Francesa com seus ideais iluministas de “liberdade, igualdade e fraternidade”, implantou na sociedade uma nova concepção de mundo no qual esses princípios se fazem presentes, porém no âmbito da internação de dependentes químicos tais ideias caminham por uma linha tênue entre se é certo ou errado a hospitalização involuntária. Diante disso, o tema em questão é necessário a partir do momento que os problemas do  dependente começam a afetar os outros e quando já está tão imersos nessa realidade que não reconhecem no momento em que está com problemas.

Atualmente ainda não se tem estudos conclusivos sobre a eficácia da internação involuntária, porém na maioria da população se tem uma “moral de rebanho”, que segundo o filósofo Nietzch é quando uma ideia prevalece e o outros apenas seguem, de que o dependente químico não tem voz quando se trata de fazer o tratamento para melhorar a sua dependência química. Tal fato só deve ser colocado em prática a partir do momento que o subordinado não responde mais por si e sim  apenas como reflexo da doença.

Somado a isso, na sociedade atual brasileira a banalização do consumo de álcool e drogas está tão recorrente na sociedade que o fato de se reconhecer quando um cidadão precisa de ajuda se tornou cada vez mais difícil, uma vez que a população já interiorizou aquilo que era exterior a ela, o que reforça a “teoria do habitus” do filósofo Bourdieu, que é quando uma coisa de tanto acontecer no meio social acaba por ser naturalizado e fazer parte do individual de cada um. Dessa forma, a imersão no mundo das drogas faz com que o dependente não perceba por si próprio que necessita de ajuda e assim a internação involuntária acaba sendo uma das melhores, e na maioria dos casos a única, para que o mesmo não cause prejuízos para o outro e até mesmo para si.

Faz-se necessário, portanto, o investimento por parte do Estado junto com a população em projetos que visem ajudar o dependente a reconhecer quando já está abusando do consumo de drogas, por intermédio de palestras e comerciais educativos que busquem mostrar quando uma pessoa deixa de ser um consumidor e passa para o estágio de subordinado, a fim de que a falta de reconhecimento quando se precisa de ajuda não seja uma fator que leve a internação involuntária e ainda a ajuda de empresas voltadas para tecnologia em aplicativos que favoreçam na desconstrução da “moral de rebanho” vigente na sociedade de que o o tema em análise é a melhor opção em todos os casos, por meio de jogos educativos que forneçam informações sobre os tipos de dependente e qual a melhor forma de tratar cada um, para que apenas em casos em que não se tem mais outra opção o internamento compulsório seja posto em prática.