A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 21/08/2020

A dependência química, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, “é um transtorno psiquiátrico crônico e progressivo caracterizado por um grupo de sinais e sintomas decorrentes do uso de drogas.” Além de ser uma doença, ela se enquadra também como um problema social, pois afeta as relações profissional, familiar e social, gerando no indivíduo um grande desgaste físico e mental. Em alguns casos de dependência, a internação involuntária se faz necessária na tentativa de ajudar essa pessoa a não só enxergar que precisa de ajuda, mas também a controlar a sua dependência química.

A internação involuntária ocorre sem o consentimento do paciente e, geralmente é solicitada por um familiar que deverá assinar a autorização. Após isso, o dependente é encaminhado para uma avaliação médica, a qual determinará se há a necessidade da internação ou não. No entanto, o bom resultado desse tratamento ainda está extremamente vinculado com o desempenho e vontade do paciente. Pois essa recuperação envolve reabilitação e o estabelecimento da capacidade de manter um estilo de vida mais saudável e positivo.

Além disso, ainda hoje há o preconceito quando o assunto é sobre usuários ou dependentes de drogas e tal realidade precisa ser superada. Segundo dados de um estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz, em 2015, cerca de 4,9 milhões de brasileiros usaram substâncias ilícitas nos 12 meses anteriores à pesquisa. Esse dado mostra que a política e os projetos antidrogas não são eficazes quanto deveriam, por isso é preciso repensar as estratégias para o combate do uso de ilícitos para, dessa forma, evitar que mais pessoas se tornem dependentes dessas substâncias.

Portanto, é preciso que os estados em parceria com os municípios aumentem os projetos e incentivem palestras e debates em ambientes escolares, com profissionais qualificados para informar a sociedade a respeito das drogas e seus malefícios para toda a sociedade. Ademais, é preciso que as famílias, que são partes fundamentais para a reabilitação do paciente, tenham apoio e instrução para saberem lidar e ajudar esse indivíduo que está lutando contra o seu vício das drogas. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde disponibilize especialistas para instruir corretamente esses familiares, para que eles sejam suportes na vida do dependente, ajudando-o a mudar de vida. Apenas assim, será possível dar mais apoio e dignidade a essas pessoas que se encontram em tal situação.