A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 20/08/2020
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), todo indivíduo saudável deve gozar de saúde mental. Entretanto, sabe-se que substâncias químicas de abuso podem mudar essa realidade, visto que tais drogas afetam o poder de escolha dos usuários. Sendo assim, a internação involuntária dessas pessoas deve ser pensada quando afeta gravemente o bem-estar coletivo e quando põem em risco a vida desses. Logo, essa problemática brasileira precisa de atenção e engajamento de toda sociedade.
Primeiramente, é importante ressaltar que segundo o estudioso da mente humana Michel Foucault, o homem é fruto de uma construção biopsicossocial e para que a condição “psico” seja bem desenvolvida é necessário que esse desfrute de todas suas faculdades mentais. Nessa perspectiva, pessoas que têm dependência química tendem a ter essas características prejudicadas, levando-as, muitas vezes, a cometerem atos danosos à sociedade, como destruição de patrimônio público e agressões físicas a outrem. Por isso, torna-se necessário que nessas situações a internação compulsória seja pensada pela sociedade brasileira, visando ao bem-estar de ambas as partes.
Em segunda análise, é válido destacar que o fenômeno da banalização do mal, proposto pela socióloga Hanna Arendt, vem acontecendo na sociedade brasileira há um bom tempo e prejudicando indivíduos, como os dependentes químicos, que precisam de um olhar mais humano e técnico. Sob essa ótica, constata-se que a internação involuntária de viciados químicos deve ser tomada como medida extrema em casos que haja risco de vida ao drogado. Dessa maneira, ao realizar esse procedimento, os brasileiros assumem uma postura avessa àquela da banalização supracitada e contribuem para a recuperação de uma parcela significativa de sua população.
Logo, viu-se que a internação involuntária de dependentes químicos no Brasil é uma problemática que necessita da atenção mais especial da sociedade civil, médica, jurídica e, sobretudo, cidadã, visto que é uma realidade triste e que afeta muitos brasileiros. Assim sendo, é necessário que o Ministério da Saúde crie um canal de comunicação com a população para que essa possa notificar a presença, nas cidades e bairros, de pessoas viciadas e com comportamento de risco. Além disso, através desse canal deve ser criada uma união entre os familiares, vizinhos e profissionais da saúde responsáveis pelos indivíduos em questão para decidirem sobre a realização do internamento compulsório. Assim, será possível reverter, a longo prazo, essa condição social que afeta negativamente o povo brasileiro.