A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 20/08/2020
No trecho da música Ideologia de Cazuza, ‘‘meus heróis morreram de overdose". há uma analogia as consequências do uso em excesso de substâncias químicas. Ao sair da arte para a realidade brasileira, nota-se a necessidade crescente de internação como tratamento dos dependentes. No entanto, a internação involuntária ainda é vítima de um tabu existente na sociedade, sendo indispensável debater sobre esse impasse e a importância da família para eficácia do tratamento.
A priori, de acordo com dado do Repositório Institucional da Fiocruz (ARCA) cerca de 3,2% dos brasileiros usaram substâncias ilícitas no ano de 2019, ou seja, aproximadamente 5 milhões de pessoas. Contudo, embora alto número de usuários, nenhum considera-se dependente químico, o que impede a internação voluntária do paciente. Logo, a alternativa é o internamento involuntário, ou seja, aquele em que o pedido é feito por um responsável ou familiar diante da dificuldade de resolução e risco à própria vida. Ainda assim, a sociedade brasileira apresenta o pensamento de que a internação é um castigo para o usuário e não algo benéfico.
Em uma segunda análise, a internação involuntária é vista como uma forma arbitrária de tratamento, que deixa o indivíduo desconfortável na situação de perda da sua autonomia. Com isso, entra o papel fundamental da família no processo de aceitação e ajuda do paciente. Tal órgão deve contribuir não apenas para evolução do quadro psíquico, mas principalmente na reinserção na sociedade e na própria família.
Portanto, baseado no que foi apresentado é preciso que a mídia socialmente engajada - por disponibilizar de um amplo alcance na sociedade - crie em parceria com o Ministério da Saúde um programa de auxílio direcionado às famílias de dependentes químicos, sendo debatido sobre as ações adequadas que devem ser tomadas e em busca de romper com o paradigma de preconceito, reforçando os benefícios do tratamento. Para que assim seja evitado consequências drásticas. como a overdose.