A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 01/09/2020
A série “Euphoria” retrata a vida de Rue, uma adolescente que, após ter uma overdose, é enviada por sua família para uma clínica de reabilitação, sofrendo, posteriormente, grande dificuldade para se reinserir na sociedade. Na hodiernidade, a internação involuntária de dependentes químicos ainda gera inúmeros debates em todo o território nacional. Faz-se necessário, portanto, discutir os benefícios e desafios da questão, a fim de minimizar seus impactos negativos.
Diante desse cenário, é importante ressaltar a indispensabilidade do julgamento de familiares para decidir a necessidade de internação, visto que, muitas vezes, os dependentes não possuem consciência plena dos seus atos, tornando-se, assim, incapazes de reconhecer sua condição e buscar ajuda. Segundo as ideias do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Assim, a ausência de discernimento cria “muros” no julgamento de toxicomaníacos, o que pode levá-los a causar danos a si e à sociedade, sendo indispensável, dessa forma, a interferência familiar.
Por conseguinte, ainda convém lembrar, entretanto, os desafios encontrados para a realização da internação involuntária, como as elevadas ocorrências de recaídas. De acordo com psiquiatras especializados na área, 95% dos casos de reincidências ocorrem quando as pessoas são compelidas a serem internadas, pois não existe a vontade individual de realizar tal tratamento. Outrossim, a medida recairia principalmente em moradores de rua, os quais necessitam de outras medidas além da reabilitação, como a promoção da inclusão social. Caso contrário, retornarão para os mesmos hábitos após a hospitalização, acentuando o entrave.
É perceptível, desse modo, que a internação involuntária de dependentes químicos ainda é uma problemática na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que o Governo direcione verbas para a construção de centros onde será possível auxiliar a recuperação do grupo, por meio da contratação de profissionais qualificados, a fim de tornar a sua reinserção na sociedade mais fácil. Ademais, é necessário que mídia, como formadora de opinião, insira, em suas novelas e filmes, histórias de dependentes químicos que buscaram amparo, visando a conscientização do próprio grupo, pois internações voluntárias possuem muito mais chances de êxito. Dessa maneira, será possível minimizar o problema, assegurando para que os desafios enfrentados por Rue possam permanecer apenas na ficção.