A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 21/09/2020

Na série norte americana “Euphoria”, retrata-se a história de Rue Bennett, uma adolescente de 17 anos viciada em álcool e drogas que é internada de modo involuntário em diversos episódios. Fora da ficção, é ponto pacífico que a série pode ser relacionada com as discussões acerca da internação involuntária de dependentes químicos. Desse modo, o auxílio profissional especializado somado a políticas públicas são mister na compreensão acerca da internação involuntária e dependência química no Brasil.

Em primeiro lugar, é importante destacar o âmbito profissional, sendo os especialistas acerca da promoção da saúde mental. De acordo com o médico psiquiatra Daniel Martins de Barros, o recurso da internação involuntária não pode ser proibido e nem obrigatório. Assim, é notável que não se pode ser extremista a respeito das internações involuntárias e respeitar os direitos individuais.

Em segundo lugar,  presencia-se, de modo crescente, a ineficácia do Sistema Único de Saúde (SUS) quando o assunto é saúde mental. Segundo o doutor Paulo Amarante, não houve investimentos efetivo no SUS, seja por causa da corrupção ou do descaso do interesse de gestores. Logo, há de se considerar que, se medidas de políticas públicas de saúde não forem tomadas, internações involuntárias não serão totalmente eficazes no combate da dependência química no Brasil.

Portanto, medidas não necessárias para amenizar o quadro atual de dependentes químicos. Para o combate da persistência de usuários de substâncias psicoativas, é necessário que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, programas educacionais de resistência às drogas em escolas públicas e privadas. Além disso, investimentos deverão ser realizados no SUS a fim de diminuir a ineficácia de seus programas psicossociais. Somente assim, será possível diminuir internações involuntárias causadas por dependência química no Brasil, como foi apresentado na série “Euphoria”.