A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 21/10/2020
A cracolândia, localidade conhecida por concentrar um alto número de usuários de drogas no estado de São Paulo, passou por uma desocupação em 2017, a qual objetivava a dispersão dos usuários. Diante disso, evidenciou-se as discussão sobre a internação involuntária dos dependentes químicos e as principais consequências envolvidas nesse processo. Nesse contexto, vale ressaltar o preconceito perpetrado na sociedade, bem como a inobservância estatal à questão.
Em primeira análise, é lícito postular que os indivíduos que possuem ou já possuíram algum tipo de dependência química sofrem com a descriminação social. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Baumam, defende, na obra modernidade líquida, que o individualismo é algo intrínseco a sociedade pós moderna. Consequentemente o preconceito, que é naturalizado na conjuntura atual, mostra-se como um desafio a busca por ajuda pelos usuários de drogas. Nesse prisma, a internação involuntária passa a ser uma possibilidade que impõe medo aos dependentes químicos, visto que , na maioria das vezes, eles possuem receio de sofrer um tratamento desrespeitoso e que cause piora em sua condição. Outrossim, sob a perspectiva filosófica de John Locke é papel do Estado, enquanto agente fornecedor dos direitos mínimos, garantir os mecanismos que possibilitem a manutenção da sociedade. Entretando, de acordo com uma reportagem apresentada no programa Profissão Repórter, muitas famílias encontram dificuldades para achar vagas nas instituições de tratamento para dependentes químicos. Esse panorama expõe que, mesmo em casos de uma internação involuntária solicitada pela família, os locais de tratamento são insuficientes para atender às demandas da população.
Depreende-se, portanto, que há a necessidade de melhorar as estratégias para o tratamento de dependentes químicos. Para isso, é imprescindível que o Estado invista na infraestrutura das instituições de apoio aos dependentes químicos, de modo que destine verbas para a ampliação do número de vagas nesses locais, além de oferecer, com ajuda de profissionais qualificados, informação aos familiares sobre as formas de tratamento e as possibilidades de internação para os usuários de drogas. Com isso, tem-se o objetivo de melhorar a assistência e possibilitar que os dependentes químicos tenham acesso ao tratamento adequado.