A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 26/10/2020
A famosa série de tv “Breaking Bad” narra a realidade conturbada dos dependentes químicos e como essas drogas afetam à vida dos personagens.Longe do viés cinematográfico, e adentrando-se à realidade de muitos brasileiros,verifica-se o crescente números de dependentes químicos no país e inoperância no que diz respeito à busca de soluções para a melhoria na qualidade de vida desse grupo marginalizado,mediante a discussão do uso da internação involuntária de usuários de drogas.
Pontua-se,em uma análise inicial,o aumento no quantitativo de dependentes químicos no Brasil.Isso ocorre devido ao escapismo dos problemas proporcionado pelas drogas lícitas e ilícitas.Nesse sentido, atina-se para a moral freudiana a qual sugere que:" É impossível enfrentar a vida sem nenhum mecanismo de fuga".Contudo , observa-se uma armadilha nesse pressuposto e o aumento no número de pessoas usuárias de drogas,bem como a vulnerabilidade desses indivíduos e de seus familiares(dados os riscos a saúde física e mental deles),verificando-se,dessa maneira, a necessidade da existência das internações compulsórias por parte do governo.Prova dessa necessidade é,segundo o IPEA(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ,a existência de quase 30 milhões de dependentes químicos entregues ao consumo inconsciente das drogas e vítimas da apatia do Estado.
Observa-se,em paralelo a isso, ausência de mecanismo governamentais voltados a solução da problemática dos usuários de drogas que necessitam de internação compulsória no país.Uma vez que a “ninguendade”,conceito descrito pelo sociólogo Darcy Ribeiro para ilustrar a condição de descaso enfrentada pelas minorias brasileiras, outorgada a essa minoria corrobora para a manutenção da situação de inexistência vivenciada por esse grupo. Um exemplo para tal sensação de invisibilidade vivida pelos dependentes químicos é o documentário brasileiro “Eu existo”, o qual traz depoimentos de usuários de drogas onde esses descrevem a triste sensação de serem vistos apenas como “drogados ou bêbados” pela sociedade e pelo Estado ,e não como indivíduos que necessitam de apoio psicológico e individualizado(como a internação compulsória,por exemplo).
Urge,portanto, que para a internação involuntária de dependentes químicos no Brasil seja feita de maneira efetiva, o Governo Federal, com o auxílio do Ministério da Saúde e dos CAPS(Centros de Atenção Psicossocial), por intermédio da criação de mutirões( efetivados pelos funcionários dos centros,que devem receber abonos salariais para o exercício de tal feito), ampliar o contato do Estado com os grupos marginalizados pelo consumo das drogas(lícitas e ilícitas).Tal atitude governamental tem o intuito de identificar a necessidade ou não da internação compulsória ,por meio do atendimento individualizado recebido por esses dependentes químicos,dando fim a “ninguendade” desse grupo.