A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 02/11/2020
“O importante não é viver, mas sim viver bem”. Para Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. No entanto, essa não é a realidade vivênciada pela sociedade brasileira, que sofre direta ou indiretamente com a dependência química. Nessa perspectiva, cabe analisar a necessidade da internação involutária em nosso país.
Em um documentário da BBC News é retratado a realidade de usuários de drogas que frequentam a Cracolândia, uma zona de exlusão da grande São Paulo, palco de assaltos de pedestres, homicídios, estupros, e óbitos de usuários que ocorrem diariamente. O documentário também nos narra a realidade da mãe de Ailton Nascimento-um dependente químico de 23 anos- cuja mãe vai à zona de exlusão todos os dias para levar refeições para o seu filho, e relata roubos, agressões e ameaças que sofreu por outros viciados, assim como no fim do documentário nos conta o dia em que ao ir levar o almoço para o seu filho, o encontrou morto em uma sarjeta, após uma overdose letal. Percebe-se uma linha clara com as cenas apresentadas no documentário: a dependência química poem em risco a vida não apenas dos usuários, mas também de suas famílias e de pedestres, e a impossibilidade da internação involuntária contribui para o cenário atual.
Além disso, também vale ressaltar que a dependência química ,em casos graves, priva o usuário do discerimento, e de seu livre arbítrio, e por isso, deve sim ser tratada como um transtorno psicótico grave, que eventualmente não necessita do consentimento do paciente para o seu tratamento médico, uma vez que poem a vida deste em risco.
Portanto, torna-se evidente a necessidade da internação involuntária de dependentes químicos no Brasil. Para isso, urge que o Estado juntos às grandes mídias publiquem , nas redes sociais e televisivas, campanhas que conscientizem a população sobre os riscos que os casos graves de dependência química trazem para os usuários e as suas famílias. Com o intuito de que a população compreenda a necessidade de tal medida. E ainda cabe ao Ministério da Saúde, a disponibilização de verbas governamentais para o treinamento dos médicos que irão tratar tais pacientes, para que o tratamento dos usuários seja o mais humanizado e efetivo possível. Espera-se com isso, que os dependentes químicos e a população ,em geral, não apenas vivam, mas vivam bem.