A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 07/12/2020

De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo(Unifesp), 28 milhões de pessoas têm algum parente dependente químico. A partir desses resultados, os pesquisadores estimam que 5,7% dos brasileiros sejam dependentes de drogas, índice que representa mais de 8 milhões de pessoas. Dessa forma, é possível perceber que a dependência química no país é um grande problema social, uma vez que não afeta apenas os usuários, mas também suas famílias, e em alguns casos, terceiros. Desse modo, existe a necessidade da internação do dependente, que em muitos casos ocorre de forma involuntária. Assim, cabe uma discussão sobre o tema, e de que formas pode-se diminuir os casos de internações forçadas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a dependência química é uma doença crônica, progressiva, ou seja, que piora com o passar do tempo, primária, que gera outras doenças e fatal. A dependência química é um transtorno mental caracterizado por um grupo de sinais e sintomas decorrentes do uso de drogas. Deste modo, é necessário um tratamento, como ocorre com outras doenças. No entanto, há pessoas que se negam a realizar o tratamento, e são internadas contra sua própria vontade, assim, perdendo a sua liberdade de escolha e direito de ir e vir.

De acordo com o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, nós somos seres livres dentro de um conjunto de direitos e deveres. Logo, é preciso ser consciente das atitudes que se escolhe, para que nenhuma delas interfira ou prejudique a vida de uma outra pessoa, sendo assim, se o dependente estiver consciente de suas ações, não esteja interferindo de forma negativa a vida de qualquer indivíduo, cabe a ele escolher se quer ou não seguir tal procedimento, há formas menos grosseiras de mudar essa realidade, como acompanhamento psicológico, psiquiátrico, grupos de apoio. No entanto, se esse indivíduo perdeu a capacidade de fazer escolhas conscientes é preciso tomar medidas mais extremas.

Em suma, para que seja cada vez menos necessário realizar internações forçadas, cabe ao Ministério de Saúde oferecer acompanhamento psicológico para os dependentes químicos, sem que seja necessário uma internação em clínica. Também cabe ao Governo Federal, oferecer apoio a ONG’s que realizão ações para essa população, dessa forma, será possível iniciar um tratamento mais ameno. Assim, esses cidadãos terão a chance de ter uma vida saudável novamente  podem se inserir em ambientes que as drogas podem ter-os tirado, como o trabalho.