A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 08/05/2021

São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a questão da internação involutária de dependentes químicos contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, esse grupo é vítima de discriminação constante. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da formação familiar e da lenta mudança na mentalidade social.

Convém ressaltar, a princípio, que a formação familiar é um fator determinante para a persistência do problema. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da formação apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.

Em consequência disso, surge a questão da lenta mudança na mentalidade social , que intensifica a gravidade do problema. Desse modo, conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da mentalidade preconceituosa, é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Portanto, para que o problema deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade e a importância que a família tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos enquanto seres singulares, além de relatos de experiência, dados estatísticos, visando a quebra de paradigmas socialmente alimentados. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista pra diferença, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei a Terra”.