A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 22/09/2021

No filme “Coringa”, o personagem principal recebe atendimento psicológico por ter uma doença mental. Porém, não adquire bons resultados, já que, no meio social em que vive, sofre com muitos preconceitos. O que acaba acarretando em uma piora da doença. Analogamente, no Brasil, a sociedade é indiligente com pessoas com transtornos mentais e dependentes químicos, procurando uma solução mais “rápida e efetiva”. Nesse cenário, é fundamental o debate acerca da necessidade da internação involutária e a negligência da sociedade com usuários de drogas.

Em primeiro lugar, é válido pontuar que a internação involutária é necessária quando o paciente está em um estado que coloca si próprio ou outras pessoas em risco. Contudo, não deve ser a primeira intervenção a ser feita, já que pode ser amplamente traumatizante para o indivíduo a ser tratado. Porém, existe, no imaginário coletivo, principalmente da família do paciente - já desgastada - , uma ideia de que a internação é um tratamento definitivo. Todavia, pode ter tantas recaídas quanto os outros tratamentos oferecidos, como a psicoterapia.

A “Atitude Blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental life” - ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Esse panorama se evidencia, por exemplo, quando a sociedade impõe barreiras, associadas ao preconceito, para a reintegração de indivíduos na sociedade. Dessa forma, dificultando o sucesso dos tratamentos, assim como acontece em “Coringa”.

Portanto, é necessário que o Ministério das Comunicações, juntamente com o Ministério da Saúde, atue demonstrando a eficácia de tratamentos opostos à internação. Assim, por meio de propagandas com ex-usuários de drogas, relatando o processo de melhora, a população irá perceber que a reintegração deles na sociedade é possível. Esse feito terá a finalidade de diminuir a internação involuntária quando não necessária, evitando eventos traumáticos ao paciente. Melhorando, dessa maneira, o tratamento de dependentes químicos e a convivência social destes.