A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 02/11/2021
A internação involuntária ocorre quando o os usuários químicos entram em processo de reabilitação sem o seu consentimento. Destarte, nacionalmente, nota-se impasses no que diz respeito a hospitalização não voluntária dos dependentes. Isso ocorre devido, sobretudo, à diminuta eficiência desse tratamento e o dano causado ao ideal de autonomia dos indivíduos. Logo, medidas de saúde são necessárias para mitigação dessa perspectiva.
Nessa conjuntura, cabe analisar à pouca efetividade dessa remediação. Segundo Ricardo Dias, Diretor Clinico da Casa de Saúde Sant Roman, 95% das recaídas de dependentes químicos ocorre quando as pessoas são internadas involuntariamente. Nesse sentido, há ocorrência desse problema porque, na maioria das vezes, são tomadas decisões simplistas de tratamento, por exemplo a desintoxicação, fazendo com que os usuários acabem recaindo, quando na verdade remediações especializadas e multidisciplinares que não só desintoxique o paciente, mas também forneçam acompanhamento físico, social e psicológico do mesmo.
Outrossim, é valido destacar a que esse tratamento fere o princípio de liberdade das pessoas. Consoante ao princípio da autonomia da vontade, os indivíduos têm o pleno direito de determinar-se todas as decisões no que competem a si. Contudo, a internação forçada é o contrário dessa garantia, haja vista que, muitas vezes, é utilizado a força para levar esses indivíduos para as clínicas e ao chegar nesses locais, além de não estarem motivados para o tratamento, tendem a agir com agressividade e desconfiança já que estão recebendo um auxilio sem a sua própria aprovação. Assim, enquanto não houver assenso sobre a internação, a autonomia desses sujeitos estará em risco.
Portanto, medidas devem ser tomadas com vistas a efetivar essa remediação medica e não haver lesão ao direito à autonomia. Desta maneira, cabe ao Ministério da Saúde, promover um processo de reabilitação menos invasiva, por meio de consultas na rua – estruturas filantrópicas simples com profissionais especializados em dependentes químicos. Dessarte, haverá consentimento nas internações e esse método será mais efetivo.