A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 16/10/2022
A morte da cantora Elis Regina foi um fato de grande impacto nacional, mediante o laudo que comprovou o uso de cocaína e álcool como causa do óbito. Logo, a tragédia atemporal vivida pela cantora, salienta a necessidade de discorrer sobre a internação involuntária de dependentes químicos no Brasil. Diante disso, os tabus associados ao abuso de drogas, bem como a insegurança dos familiares e dos viciados perante a ineficiência do Estado em solucionar a problemática, são eixos fundamentais para discorrer sobre o assunto.
Em diversas escalas socioeconômicas a indústria cultural é um mecanismo de influência direta no comportamento de seus consumidores. Visto que, personagens como Homer Simpson banalizam o abuso de bebida alcoólica, outrossim, algumas músicas de gêneros como o funk, pop e hip hop, associam o uso de maconha e cocaína ao luxo, produtividade, e criatividade, a interpretação que se cria sobre o vício é de um padrão de comportamento ou escolha, não de uma doença e sim um problema de saúde pública tratável com internação terapêutica.
Além disso, a errônea marginalização de vítimas do vício, como àqueles que habitam as ruas da cracolândia em São Paulo, gera insegurança dos familiares em optar por autorizar a internação, pois em muitos casos, veem a internação como um artifício análogo ao sistema penitenciário. Consequentemente, este erro do Estado ocasiona no medo e resistência dos familiares e pacientes.
Em suma, as dificuldades que abrangem a questão da dependência química, validam a necessidade do debate sobre a internação involuntária no Brasil. Nesse viés, evidenciar o fato do vício ser uma doença, através dos principais meios de informação, mostra-se uma responsabilidade do Ministério da Comunicação. Logo, os preconceitos direcionados aos dependentes químicos são desconstruídos. Além disso, os Centros de Referência e Assistência Social (CRAS) e Postos de Saúde, devem atuar de forma harmônica com a necessidade de cada paciente e analisando a recorrência de casos na região, treinando e selecionando uma equipe adequada que saiba direcionar corretamente cada tratamento.