A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 09/11/2022

No livro “O cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente - metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, como por exemplo, a desaplicação de discussões em volta da internação involuntária de dependentes químicos. Notoriamente, isso é causado pela a ausência de reflexão e a insuficiência legislativa, fatos que perpetuam essa mazela.

Diante desse cenário, a mentalidade coletiva precisa ser aprofundada. Segundo o conceito de Normalização, de Michel Foucault, há, na sociedade, a repetição de comportamentos sem a devida reflexão crítica dessa conduta. Sob tal perspectiva, quando se analisa a irracionalidade da sociedade brasileira em relação a importância de usar um meio para salvar um indivíduo dependente, verifica-se que a falta de deliberação minuciosa sobre o assunto em questão intensifica o revés, uma vez que a internação involuntária pode ser a ultima chance de uma pessoa dependente se recuperar, mesmo que seja contra sua vontade sair da dependência química. Com isso, torna-se imprescindível a discussão coletiva.

Ademais, merece destaque o quesito constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida em circunstância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. De tal forma que, a pouca iniciativa do Estado de efetuar todos os caminhos para salvar dependentes químicos, entretanto, contrasta a concepção do autor, pois não há campanhas informativas, e muito cidadãos brasileiros não possuem conhecimento da internação involuntária, não sabem desse direito existente de poder para combater e solucionar a dependência de seus parentes.

Portanto, cabe ao Estado destinar parte do Produto Interno Bruto (PIB) para trazer visibilidade ao quão importante a internação involuntária pode ser para solucionar a dependência química. Essa ação ocorrerá por meio da utilização de verbas para a criação de rodas de debate nas escolas e comunidades. Então, feito isso, irá remediar a ausência de reflexão e a insuficiência legislativa, contraponto o elucicado por Dimenstein - ao garantir a prestabilidade de mecanismos legais.