A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento

Enviada em 11/11/2019

A obra “1984”, de George Orwel, retrata um cenário distópico, em que o governo, exacerbadamente autoritário, controlado o pensamento dos indivíduos por meio da restrição do acesso a cultura, pela qual os livros do passado são proibidos ou modificados de acordo com a opinião governamental. Hodiernamente, fora da ficção, o acesso a cultura é moldado devido a concentração dos cinemas - que são uma fonte cultural - em grandes centros e bairros nobres, gerando o mesmo efeito do livro de Orwell. Esse impasse é motivado pela ascensão da tecnologia e pela busca por um grande lucro. Desse modo, torna-se imprescindível debater acerca das causas da redução no acesso à cinemas no Brasil.

A priori, é necessário ressaltar como a tecnologia corrobora a essa problemática. De acordo com o instituto Cinema Perto de Você, no ano de 1975 haviam, dispersos pelo território nacional, 3300 salas de cinema, nos dias atuais, existem 2200, concentradas nas metrópoles. Isso é resultado da ascensão tecnológica promovida pela Revolução Técnico-Científico-Informacional, pois ela gerou uma sedentarização dos indivíduos, causada, em grande parte, pelo uso excessivo de redes sociais. Evidência-se, portanto, que o vício em aparelhos eletrônicos cria meios para a concentração dos cinemas.

A posteriori, compete analisar como o capitalismo afeta esse entrave. A Guerra Fria foi uma corrida armamentista, disputada entre os Estados Unidos e a União Soviética, que teve fim na década de 1990, com o capitalismo sendo aderido como sistema econômico em quase todo o mundo. A busca pelo maior lucro possível, gerado por esse modelo, causa a concentração dos cinemas em bairros nobres, pois, esses lugares têm uma alta renda média por pessoa, e, desse modo, as empresas podem, cada vez mais, aumentar o preço dos ingressos de entrada, obtendo cada vez uma maior lucratividade. Nota-se, então, que a dispersão desses estabelecimentos é auxiliada pelo capitalismo.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para facilitar o acesso a cultura pela população mais carente, urge que o Ministério da Cultura, em parceria com as instituições de ensino, promova realização de cinemas gratuitos nas escolas, por meio da transmissão de filmes, feita por projetores, fora do horário escolar. Outrossim, cabe ao Legislativo a regularização e a fixação dos preços de ingressos, visando incentivar as empresas a criação de cinemas em diferentes regiões, pois esse ato iria limitar o aumento do valor da entrada dos cinemas. Dessa forma, se amenizaria a redução no acesso à cinemas e a restrição cultural, como era feita em “1984”, acabaria.