A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento
Enviada em 16/01/2020
É possível afirmar que a falta de investimento em internet de forma igualitária culmina em desafios para o uso desse recurso como ferramenta de democratização do conhecimento no Brasil. Isso se evidencia não só pelo despreparo dos corpos docentes em práticas digitais como pelo déficit de estrutura das escolas. Nesse âmbito, convém analisar os fatores que favorecem tal cenário.
Inicialmente, a falta de capacitação de professores representa um dos principais entraves para que haja o uso ativo da tecnologia como medida de efetivar o aprendizado em salas de aula no país. Segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, apenas 37% dos professores de escolas públicas que possuem formação no Ensino Superior cursavam disciplinas ou tiveram algum tipo capacitação sobre o uso pedagógico das tecnologias durante a graduação. É inaceitável que, de forma análoga, em um país atualmente signatário dos Direitos Humanos, o Estado não desenvolva projetos a fim de efetivar as práticas tecnológicas em sala de aula e assim garantir que os cidadãos tenham um dos direitos fundamentais com maior qualidade.
Outro fator relevante que prejudica a democratização do conhecimento por meio da internet é a falta de estrutura nas instituições de ensino, principalmente municipais, estaduais e federais. De acordo com pesquisa publicada pelo jornal Folha de Pernambuco, o uso de computadores e de internet só é comum entre 37% dos alunos da rede pública, número que chega a 50% nas escolas particulares. Assim, configura-se como nociva a compreensão de que, em um país oficialmente democrático, o Estado não garanta igualdade de formação entre alunos de diferentes classes sociais, inclusive no que se refere ao uso da tecnologia.
Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver essa problemática. Os Poderes Públicos devem garantir que haja a capacitação dos lecionadores, por meio de criação de projetos de leis que implementem novas matérias e fundamentos tecnológicos nos cursos de licenciatura, a fim de diminuir o deficit de atualização de forma gradativa. Além disso, o Conselho Estadual de Educação deve implementar e buscar a efetivação de projetos de investimento de verbas no aprimoramento da estrutura de instituições públicas de ensino e assim garantir a aptidão desses espaços para receber equipamentos tecnológicos.