A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento
Enviada em 15/01/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Cidadã garante o direito ao acesso à informação. Porém, essa premissa tem como obstáculo o mal uso da internet como ferramenta para a democratização efetiva do conhecimento. Com isso, ponderar sobre a segregação social e a insuficiência de medidas governamentais frente à temática é medida que se faz necessária.
Em primeiro lugar, é fulcral pontuar que a internet funciona como ferramenta para o compartilhamento do conhecimento . Nesse sentido, de acordo com os iluministas Didetot e D’Lambert, autores da ‘‘Enciclopédia’’, a democratização do saber é fundamental no combate à alienação dos cidadãos, garantindo aos mesmos a liberdade efetiva. Contudo, observa-se que hodiernamente, segundo reportagens veiculadas pelo ‘‘Portal G1’’, 46 milhões de brasileiros não têm acesso ao ambiente virtual, o que simboliza uma segregação social antidemocrática desse meio digital. Assim, percebe-se a gravidade dessa temática, uma vez que parcela significativa da população é privada de informações online.
Em segundo lugar, vale destacar que a internet é meio importante para a amplitude da democracia, devido a seu caráter deliberativo e comunicativo. Todavia, conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser transformado em mecanismo de opressão. Nesse viés, nota-se que o Estado fere esse princípio constitucional, ao passo que as medidas para ampliação do acesso à internet são insuficientes, já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o ambiente rural apresenta o maior índice de pessoas segregadas dessa ferramenta essencial à busca do conhecimento. Diante dessa perspectiva, é necessário uma medida governamental, para mitigar esse cenário segregador.
Destarte, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações uma ação eficaz, a fim de democratizar essa ferramenta de conhecimento. Logo, esse órgão público deve criar salas de informática, as quais possibilitarão que os cidadãos que não têm acesso às tecnologias e/ou ao sinal de internet usem os computadores, de maneira gratuita, para fazer pesquisas no meio digital. Dessa forma, por meio de parcerias com os governos municipais, essas salas de informática devem estar presentes em todas as cidades do Brasil, para não segregar nenhum indivíduo dessa tecnologia. Por fim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, esse cenário que fere os princípios da Magna Carta.