A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento
Enviada em 15/02/2021
De acordo com a Constituição Federal de 1988, a educação passa a ser reconhecida como um direito e portanto, torna-se dever do Estado, da família e da comunidade promovê-la e incentivá-la. Contudo, no Brasil hodierno, os cidadãos têm essa garantia deturpada, uma vez que a internet -mecanismo de compartilhamento do saber- liberta da realidade tradicional, mas limita sua utilização. Dessarte, mostra-se necessária uma análise da problemática.
Em primeiro lugar, é visível a relevância do ciberespaço para a difusão do conhecimento. Segundo o sociólogo Manuel Castells em sua obra “A sociedade em rede”, a internet foi capaz de descentralizar a educação. Tal argumento pode ser percebido na atualidade, visto que o espaço virtual, repleto de informações, possibilita a interpretação, o entendimento e a vizualização dos assuntos desejados, bem como o contato com outras opiniões e perspectivas. Nesse sentido, observa-se que a estrutura escolar, composta por salas preenchidas de alunos é rompida, deixando de lado o ensino passivo que desincentiva o sujeito e assim, abre lugar para a emancipação crítica e intelectual do estudante.
No entanto, essa circunstância, muitas vezes é responsável por realçar ainda mais as desigualdades sociais, haja vista que um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet, conforma dados de 2018 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. A partir dessa taxa, nota-se que apesar da educação remota ser pertinente seu uso é restrito a uma minoria da população. A exemplo disso, verifica-se os impasses do ensino à distância adotado pelas escolas brasileiras durante a pandemia do Covid-19, o qual não era acessado, nem presenciado, já que para muitos alunos o convívio com a rede não é uma realidade. Sabendo disso, nota-se que mesmo sendo um grande avanço, o ensino remoto persiste em ser elitizado, favorecendo a educação de alguns e não da universalidade.
Em virtude dos fatos mencionados, medidas capazes de extinguir ou ao menos amenizar a situação declaram-se imprescindíveis. Por isso, cabe ao Governo Federal - responsável pela administração de todo o território nacional - criar pontos de acesso à internet de qualidade, por meio de parcerias com empresas privadas relacionadas a essa área. Esse projeto tem de ser aplicado em praças públicas e bibliotecas municipais que possuirão roteadores capazes de atender a população sem acesso. O intuito é estimular e democratizar o conhecimento no meio virtual, validando a declaração da Constituição Federal.