A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento
Enviada em 27/08/2021
Alan Turing — cientista que decifrou o código alemão e encurtou a duração da 2ª Guerra Mundial — sempre refletia se as máquina eram capazes de pensar. À vista disso, hodiernamente, tal questionamento pode ser respondido com o fato da existência de algoritmos, os quais tornam o internauta cada vez mais imerso em seu próprio universo ideológico. Nesse viés, em razão de uma educação deficitária, que, com o auxílio da web, origina uma alienação social, emerge um novo questionamento: a internet serve como ferramenta para a democratizaçao do conhecimento?
Diante desse cenário, vale destacar que a baixa qualidade da educação é algo que evidencia a alienação da população. Nesse sentido, consoante Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange aos malefícios da web, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, como o despreparo dos indivíduos para lidar com a gama de informações adquiridas diariamente, uma vez que não abordava — e ainda não aborda — esse tema nas salas de aula. Assim, um possível caminho para se obter um povo mais crítico é usar o raciocínio de Kant: fazer o homem crescer intelectualmente a partir de um ensino de qualidade.
Nesse contexto, é importante salientar que uma sociedade que não tem senso crítico para saber distinguir o que é verdade do que é mentira — o que é intensificado pelo meio cibernético — é uma realidade do século XXI. Sob esse ângulo, o documentário “O Dilema das Redes”, da Netflix, evidencia o paradoxo entre o avanço tecnológico e o aumento da desinformação, pois a polariazação política e a grande presença das fake news são dois claros exemplos de más consequências do mundo em rede na atualidade, o que põe em risco a democracia. A exemplo disso, tem-se as inúmeras falsas notícias que, mesmo com a aprovação científica, tentam negar a eficácia das vacinas contra a COVID-19. Logo, é mais que necessária a atuação dos administradores virtuais para mudar esse panorama.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — precisa desenvolver um projeto pedagógico, por meio da adição de uma nova matéria na grade escolar, a qual abordará sobre os principais entraves do século XXI, por exemplo, as fake news, a fim de tornar as novas gerações mais críticas. Ademais, é fundamental que as próprias redes sociais, por intermédio de profissionais capacitados, como engenheiros computacionais, devem tornar o algoritmo voltado à propagação de conhecimento e não mais para a imersão do ser em sua prórpia bolha, com o intuito de democratizar a verdade aos seres humanos. Dessa forma, espera-se afirmar que a internet atua, de modo eficaz, à oferta de informações construtivas para todos.