A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento

Enviada em 09/10/2021

Após a criação da imprensa, no período renascentista, a difusão de livros permitiu que a literatura se tornasse parte da cultura popular. Assim como na renascença, o uso da internet trouxe consigo um enorme acervo que engloba dados agregados por todo o mundo. Apesar desta invenção facilitar o acesso à informação, a dificuldade de conexão a essa e a ausência de condicionamento na síntese de ideias tornaram-se empecilhos para a rede como ferramenta na democratização do conhecimento.      Mormente, é importante ressaltar a dificuldade que as parcelas mais pobres da população possuem em relação à utilização da rede. Adorno e Horkheimer, dois importantes filósofos da escola de Frankfurt, definiram como indústria cultural a transformação da cultura em produto a serviço dos interesses burgueses. Dessa forma, a internet, que é utilizada como veículo cultural e informacional, sendo assim uma invenção de interesse social, passa a ser caracterizada como um mero produto capital, o que limita o alcance daqueles que não possuem capacidade de pagar pelo seu acesso, isto é, as parcelas mais pobres da população. Desse modo, como dito por Theodor Adorno, os cidadãos de classe baixa acabam tendo sua participação cultural negligenciada; algo grave, tendo em vista o direito democrático de explorar a cultura de seu povo.

Ademais, a falta de orientação para o uso apropriado da internet desvirtua-a como ferramenta de democratização do conhecimento. Isso ocorre na medida em que, ao ter acesso ao conteúdo condicionado devido a indústria cultural, o indivíduo perde o contato com ferramentas voltadas para a educação e democratização desta, o que compromete significativamente a construção das redes como agente educacional. Dessa maneira, surge uma massa de internautas despreocupados em validar e pesquisar por informações, podendo influenciar na propagação da desinformação, o que alteraria em última instância a realidade democrática.

Depreende-se, portanto, que a “produtificação” da internet e a ausência de uma orientação de seu uso podem ser prejudiciais na transformação da rede como ferramenta democrática de conhecimento. O governo federal, como instituição regulamentadora da internet, deve criar medidas que tornem o acesso à internet gratuito para as populações mais carentes do Brasil, como o estabelecimento de “hotspots” em locais públicos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, a organização de palestras educacionais com o intuito de orientar e instruir a população sobre o uso da internet como ferramenta voltada para a educação. Espera-se, com isso, que os brasileiros possam utilizar melhor as redes como recurso instruidor e, assim, menos dependentes dos desejos mercadológicos, como Adorno e Horkheimer defendiam.