A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento

Enviada em 12/10/2021

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que os desafios para democratização do conhecimento por meio da internet- grave problema a ser enfrentado pela sociedade – resultam na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia – reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema. De acordo com a Constituição federal de 1988, a educação é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que a educação também seja garantida por meio da internet. Entretanto, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, tendo em vista que grande parte dos brasileiros ainda sofrem com essa adversidade, pois um quinto da nação não possui meios de acesso à internet, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios). Esse sofrimento ocorre pela falta de alcance à inclusão digital, o que dificulta a vida de estudantes, por exemplo, em realizar tarefas que seriam simples com o uso do meio digital, como: fazer uma pesquisa, estudar, fazer trabalho escolar e universitário.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso ocorre, visto que, se uma pessoa tiver acesso à internet, o problema dela está resolvido, não se comovendo com o outro para quem o problema ainda é uma realidade. Tal fato tem o óbice silenciado, pois as pessoas detentoras desse acesso passam a não cobrar o governo e os responsáveis do Estado por melhores medidas nesse sentido. Ademais, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Logo, há, como consequência, falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si.

Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver os desafios da internet como ferramenta para democratização do conhecimento. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com escolas municipais e estaduais, desenvolvam “workshops”, em escolas, para debater causas, consequências e como melhorar o acesso à internet. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem o tema para os jovens e suas famílias, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema e erradicar o problema.