A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento

Enviada em 20/11/2021

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase “Ordem e Progresso” exposta na bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a falta de democratização por meio da internet - grave obstáculo a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também falta de empatia –reflexo do individualismo- solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema. Nesse sentido, na teoria, imagina-se que o acesso à internet para todos no Brasil seja garantido pelo direito social à educação, previsto na Constituição federal de 1988. Entretanto, na prática, o Estado não atua em defesa do ponto de vista esperado constitucionalmente, pois, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios, 20% da nação sofre com a ausência de acesso ao meio digital. Esse sofrimento ocorre pela realidade que não condiz com a democracia, pois alguns indivíduos tem mais dificuldades em realizar tarefas do que outros, como: fazer uma pesquisa, estudar, fazer trabalho escolar e universitário.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso ocorre, visto que, um indivíduo com conexão à internet, não se comove com o outro para quem o problema da falta de internet ainda é uma realidade. Tal fato acaba tendo o óbice silenciado, pois as pessoas detentoras desse acesso passam a não cobrar o governo e os responsáveis do Estado por melhores medidas nesse sentido. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência, falta de empatia, pois para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão e funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Portanto, são necessárias medidas capazes de combater a negligência do Estado perante a democratização do conhecimento pela internet. Sendo assim, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com escolas públicas e privadas, desenvolva “workshops” em escolas, para debater causas, consequências e como melhorar a expansão da conexão à internet. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações e dinâmicas - de modo a proporcionar a visualização do assunto -, além de palestras de sociólogos que orientem sobre o tema para os jovens e suas famílias, a fim de efetivar a elucidação da população sobre a realidade e erradicar o problema, seguindo rumo à ordem e ao progresso.