A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento
Enviada em 04/11/2022
A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma civilização perfeita, caracterizada pela ausência de conflitos. Contudo, a realidade brasileira difere desse cenário fictício, uma vez que a utilização da internet como ferramenta para a democratização do conhecimento apresenta barreiras, as quais dificultam a consolidação dos planos de More. Esse quadro antagônico é fruto de questões de cunho governamental e social. Nessa perspectiva, urge a análise dos entraves da problemática.
Precipuamente, é indubitável que a negligência estatal atua como propulsora da exclusão digital. Conforme o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da nação. Entretanto, no que concerne a assegurar o acesso igualitário às ferramentas digitais como meio de obtenção de saber, o poderio público falha, haja vista que não investe na infraestrutura de locais que não têm condições geográficas de ter aparelhos tecnológicos. Nesse sentido, é imperiosa a reformulação da postura política vigente frente ao imbróglio,com vistas a promover a democratização da educação no país.
Outrossim, é válido pontuar que a desigualdade social colabora para a não aquisição de aparatos computacionais, e consequentemente, para a elitização do ensino. De acordo com o filósofo francês Pierre Lévy, “Toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Tal pensamento alude ao fato de que o alto preço dos planos de internet e de equipamentos, a exemplo de celulares e notebooks, não condizem com a realidade financeira dos brasileiros em situação de baixa renda, o que por sua vez, acarreta na desigual oportunidade de obtenção de erudição.
Diante do exposto, medidas são cruciais para popularizar o ganho de saberes mediante o espaço virtual. Logo, cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, órgão encarregado das normas de acesso à informação, destinar maiores verbas orçamentárias, com o objetivo de ampliar a rede nacional de computadores, garantindo assim seu uso abrangente pela população mais pobre e de áreas mais remotas geograficamente. Posto isso, o panorama idealizado na obra literária será gradativamente alcançado.