A internet como ferramenta para a democratização do conhecimento
Enviada em 04/09/2024
" Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação". Na música “Que país é esse?”, da banda Legião Urbana, há a denúncia acerca de diversos problemas sociais. Na realidade brasileira, isso pode ser observado na medida em que a omissão governamental e a desigualdade social perpetuam-se como desafios para tornar o uso da internet como ferramenta de democratização do conhecimento.
Em primeira análise, é importante salientar o dever da máquina pública na garantia de direitos ao cidadão. De acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais - como a Constituição de 1988 - e pela cidadania apenas apenas no campo teórico. Sob esse viés, percebe-se que a postura estatal é de descaso no que se refere às tecnologias como forma de construção de conhecimento, já que o Estado não promove investimentos financeiros que ampliam o acesso aos meios virtuais. Isso gera, impactos negativos, principalmente para a parcela da população que não possuem condições de custear essas ferramentas.
Por conseguinte, é cabível pontuar que para o geógrafo Milton Santos “A globalização é perversa”, já que ao invés de diminuir a desigualdade, ela intensifica. Isso infelizmente é percebido ao notar que em um mundo onde a tecnologia avança a cada dia, existem parte da sociedade que não usufruem de nenhuma rede virtual, o que ocasiona o atraso na democratização do conhecimento. Por consequência, as oportunidades que oferecem ascensão social se torna escassas para estes grupos, como oportunidades de trabalho.
Portanto, são notório os fatores que alimentam a árdua realidade brasileira no que tange o acesso a ferramentas virtuais. O Governo Federal - promotor do bem estar social - deve criar políticas públicas de incentivo a tecnologia por meio da destinação de verbas financeiras com o intuito de custear tais ferramentas como notebooks e smartphones bem como redes de acesso a internet em lugares de assistência administrado pelo Estado em região onde não há altos índices de uso de redes. Espera-se com isso que a “cidadania aparente” abordada pelo Dimenstein seja superada.