A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 11/06/2019
Depreciação da imagem. Incitação à violência. Constrangimento psicossocial. Essas são algumas das manifestações do “cyberbullying”, uma forma de intimidação sistemática que utiliza a internet como veículo de propagação. Apesar da gravidade dessa situação, o Brasil ocupa a 2ª posição no mundo em casos de “cyberbullying”, segundo pesquisa divulgada pelo instituto Ipsos. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, sendo indispensável identificar as suas causas e consequências para que sejam propostas medidas resolutivas para a problemática.
Em primeira análise, cabe pontuar que uma das principais causas da persistência do “cyberbullying” na sociedade brasileira decorre da naturalização e banalização com que essa prática vem sendo tratada pelas famílias, sociedade e governo. Segundo o Filósofo Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, observa-se que a sociedade está pautada por normas sociais que nivelam a forma de agir, de pensar e de se relacionar. Assim, qualquer indivíduo que apresenta um desvio nesse conceito de normalidade pode ser alvo de agressões e “chacota”, o que nem sempre é visto como algo perturbador por aqueles que presenciam – mesmo que virtualmente – a ação, e por isso, permanecem como meros espectadores. Ademais, infelizmente, o poder de propagação facilitado pela internet para a prática do “cyberbullying” reflete diretamente na vítima que, com o aumento da exposição, se torna ainda mais fragilizada.
Logo, outro ponto relevante nessa temática, são as consequências que o “cyberbullying” acarreta aos indivíduos. Segundo o médico Aramis Lopes Neto, os alvos, agressores e espectadores dessa prática podem sofrer diversas implicações, como: depressão, angústia, baixa autoestima, estresse, isolamento social, comportamentos de risco, atitudes de autoflagelação e, em casos extremos, o suicídio. Embora as vítimas sejam as mais afetadas, é importante voltar-se também aos demais envolvidos (agressores e espectadores), a fim de compreender suas motivações e tratar seus traumas para que a problemática possa ser abordada preventivamente. Há de se considerar ainda, que o “cyberbullying” é apenas o reflexo de todas as formas de intolerância e preconceito transferidas do mundo real para o mundo virtual, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Portanto, medidas são necessárias para minimizar a prática de “cyberbullying” no Brasil. Para tanto, as Secretarias de Educação devem veicular palestras informativas periódicas nas escolas, Institutos e Universidades sobre a gravidade dessa prática e as suas diversas formas de manifestação. As palestras devem ter como enfoque os professores, alunos e comunidade escolar, a fim de ajudá-los a perceber, lidar e coibir o “cyberbullying”, bem como tornarem-se agentes multiplicadores.