A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 22/08/2019

O livro “Extraordinário”, de R. J. Palacio, conta a história fictícia de Auggie, um menino de 10 anos que sofre com o bullying praticado por seus colegas e vizinhos, motivados por ele ser “diferente dos demais”, logo que, nessa obra ele era portador de uma malformação congênita que deformou a sua face. Em paralelo a isso, com o advento da internet, a sociedade modernizou sua prática de discriminação, usando-a para propagar seu discurso de ódio e mascarar sua identidade ao cometer cyberbully. Como consequência, muitas vítimas sofrem com doenças decorrentes do trauma, podendo, até mesmo, integrar um ciclo vicioso de violência como forma de defesa, transformando-se em algozes.

Outrossim, o bullying é conceituado como uma forma de violência, abrangendo vários níveis de agressão - física, psicológica, emocional entre outras -, e trazendo consequências desastrosas para a vítima, as quais são ampliadas no âmbito virtual. Ademais, o Brasil é o 2º país em cyberbully - modalidade de bullying virtual -, de acordo com dados do Ipsos (Instituto de Pesquisa), o que demonstra que a falta de leis específicas, para regulamentar e punir esses crimes de ódio, aumenta a sensação de impunidade entre os agressores. Por outro lado, o número de doenças psicológicas, como ansiedade, depressão, transtorno de pânico, - a maioria advinda de traumas ocasionados por bullying - aumentou drasticamente nos últimos anos, segundo notícia publicada no jornal O Globo. Tal acréscimo é preocupante, pois pode acarretar em um sentimento de revanchismo, para tentar, de alguma forma, causar no outro a mesma dor sentida.

Analogamente, esse é o caso do massacre de Suzano, no qual dois atiradores, motivados pelo desejo de vingança, invadiram uma escola estadual e mataram sete pessoas, e, logo após, cometeram suicídio, em março de 2019. A saber, essa relação pode ser entendida sob a análise do escritor, Joaquim Manuel de Macedo, na obra “As Vítimas-Algozes”, a qual foi feita para causar medo nos senhores de escravos, alertando para uma possível inversão de tirania: os negros escravizados se rebelariam contra seus agressores e os matariam. Paralelo a isso, o crescente número de atentados, no Brasil, traz à tona o debate sobre a prática de violência associada às mídias sociais, na vertente de crime de ódio, que precisa de regulação e conscientização.

Depreende-se, portanto, que o Congresso Nacional deve interromper esse ciclo de violência com a criação de leis específicas de regulamentação e punição aos agressores virtuais, e também, ampliar a lei que condena o bullying para a esfera cibernética. Espera-se, com isso, que o índice de agressões diminua drasticamente, e que assim todas as pessoas possam usufruir do direito de serem elas mesmas, sem o medo de ataques em suas redes sociais.