A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 15/10/2019

Na série “13 reasons why” é contada a história de Hannah Baker, adolescente que tem todo seu enredo baseado nas consequências do cyberbullying. Não diferente da realidade televisiva, o brasileiro contemporâneo cada vez mais tem que lidar com os crimes que acontecem no ambiente online, ocasionados principalmente pela sensação de anonimato, que leva as pessoas a fazerem o que bem entendem. Logo, raízes como a ineficiência do poder público em gerenciar o ambiente online, somada como a falta de empatia gerada pelo afastamento humano na virtualidade, são os principais fatores que contribuem para o desrespeito e a intolerância se propagarem entre os navegantes brasileiros.                  Primeiramente, é necessário apresentar que mesmo existindo leis que regulem a internet, elas acabam inutilizadas por falta de investimento do setor público no seu cumprimento. Segundo pesquisa da Norton Cyber Security, o Brasil é o segundo país no ranking de quantidade de crimes cibernéticos, com incríveis 54 infrações por minuto. No entanto, o que legitima esse comportamento é a dificuldade que se tem para recorrer a algum órgão em caso de delitos. Assim, por mais que quase todo o território brasileiro já tenha contato com a internet, não são todos os brasileiros que tem acesso a meios legais para relatar a ocorrência de transgressões ocorridas virtualmente. Visto que, segundo o jornal O Globo, existem apenas 7 delegacias especializadas para mais de 80 milhões de internautas. Logo, sabendo que com o tempo a tendência é da tecnologia influenciar ainda mais a vida dos cidadãos, é dever do Ministério da Justiça intervir nesse quadro para que o problema não se torne mais grave.

No entanto, o que tangência o papel da internet na sociedade são os usuários que utilizam como um território sem lei. Pode-se explicar esse fenômeno com o pensamento do sociólogo Rousseau, na qual em uma ambiente em que o usuário é aparentemente invisível, a proposta de agir por impulso e desprovido de empatia é extremamente tentadora, o que se porta como uma válvula escape para pessoas que não teriam coragem de fazer mal face a face, assim, é necessário que punições existam para limitar esse descompasso que leva o navegante a se apresentar de forma hostil.

Logo, é papel do Estado mudar essa realidade de intolerância no Brasil. Sendo necessário que o Ministério da Justiça (órgão público responsável pela aplicabilidade das leis), faça por intermédio de investimentos na ampliação da quantidade de unidades de combate a crimes virtuais, que o acesso a meios judiciais que lutem contra os crimes de ódio e o cyberbullying seja amplo, com a finalidade da estabilidade de um processo que repreenda atos criminosos, desconstrua aos poucos a banalidade desse comportamento. Para que assim a tecnologia se transforme de vilã em aliada no Brasil.