A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 30/10/2019
A série americana Black Mirror retrata uma sociedade extremamente dependente das novas tecnologias, ao passo que se torna vítima dos crimes modernos praticados na internet. Fora da ficção, a realidade brasileira não é discrepante, pois ainda não há um consenso sólido de como a moralidade também precisa ser respeitada no mundo virtual. Nesse contexto, a falta de uma legislação mais rigorosa e o despreparo com a web marcam um impasse ético no campo cibernético.
Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a tecnologia ampliou a realidade, mas isso não significa que todos os cidadãos cumpram a lei no âmbito virtual. Para exemplificar, a teoria hobbesiana demonstra que na ausência de uma regulamentação adequada o corpo social tende ao caos. Na internet, persiste uma pequena consciência de amoralidade que rompe com a cidadania, como a prática de Cyberbullying. Em decorrência disso, a problemática torna-se ainda pior, vide o caso recente com o MC Gui, em que o cantor humilhou uma garota através de suas redes sociais.
Outrossim, por ser uma inovação recente no país, o despreparo de parcela da população com a internet também é um fator determinante para a ocorrência de crimes virtuais. Destaca-se o público jovem, que é mais suscetível a ofensas, desencadeando um processo altamente perigoso, como a prática suicida. Para ilustrar, o episódio da Baleia Azul, desafio que incentivou a automutilação de adolescentes, provocou sérios problemas no tecido social brasileiro.
É evidente, portanto, a necessidade de intervenções estatais aprofundadas. Para isso, é preciso que a lei do marco civil seja complementada, incrementando como pauta o Cyberbullying. Nesse processo, é preciso que o Ministério da Educação instaure dentro de educandários o debate legislativo sobre a web. Dessa forma, os discentes passam a reconhecer os limites da liberdade de expressão e da honra alheia dentro da internet. No que concerne aos jovens, é preciso que o Ministério da Saúde incentive postos locais a realizarem debates com a comunidade. Por isso, a presença de psicólogos é de extrema importância, para que pais sejam alertados sobre sinais de depressão ou envolvimento com desafios absurdos do mundo online. Assim, é possível caminhar em direção a um futuro próspero e saudável para todos.