A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 07/05/2020

A série “Os 13 Porquês” aborda os motivos que levaram Hannah Baker a cometer suicídio, diversos deles ligados a rumores disseminados em redes sociais. Todavia, o atual uso equivocado da internet promove casos reais e cada vez mais frequentes de crimes de ódio e cyberbullying na rede, o que resulta em danos colaterais pra sociedade, em especial no que concerne à falsa sensação de impunidade e ao despreparo para a situação. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.

A priori, a falta de denúncias corrobora para a persistência dos crimes no meio digital. Consoante a isso, o Marco Civil da Internet é responsável por mediar as relações virtuais, pois dita os direitos e deveres dos usuários. Nesse âmbito, ainda que o Marco Civil puna os agressores, a identificação desses criminosos é emblemática, então é preciso estimular e educar a sociedade para um melhor uso da internet e das vias de denúncia para evitar consequências sociais graves, como o suicídio, alternativa adotada pela protagonista da série. Destarte, é medular orientar sobre o uso da internet para torná-la uma extensão da sociedade e não um mundo paralelo que não segue as regras.

Outrosssim, os profissionais e pais não são orientados para situações caóticas como essas. Sob esta ótica iminente, existe uma visão naturalizante do bullying, no qual as pessoas o compreendem como brincadeiras de socialização. Nesse espectro, muito adultos permitem a perpetuação dos crimes por não compreenderem a gravidade da emblemática, como o caso de Hannah Baker (uma das razões, por ela relatada, de seu suicídio foi não receber o devido suporte após conversar com o diretor de seu colégio). Dessarte, revela-se a imprescindibilidade de guiar os responsáveis para identificar os casos.

Portanto, com o fito de educar os pais e profissionais acerca dos malefícios e do reconhecimento do bullying e crimes virtuais, o Ministério da Educação deve disponibilizar um manual gratuito que auxilie na identificação, no qual seriam relatados os sintomas comportamentais mais comuns de quem está sofrendo violência virtual e como atuar no caso. Somente assim, casos como o de Hannah Baker serão apenas histórias fictícias e não mais uma realidade crescente no país.