A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 20/05/2020
Na obra “Utopia” de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o enfrentamento ao cyberbullying apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Isso posto, esse cenário antagônico é fruto tanto da má influência midiática, quanto do receio de denunciar tais crimes. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o problema é agravado pela má influência da mídia. Conforme Pierre Bourdieu, um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema, não trazendo a representatividade ao combate à esses desrespeitos. Diante disso, tais crimes virtuais, que ocorrem de diversas maneiras como -xingamentos, mentiras, opressões, divulgação de algo sem esse direito, entre outros- causam problemas psicológicos nos agredidos, por exemplo: baixo desempenho escolar, evasão escolar, e em casos extremos, o suicídio.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de denúncia. Sob essa lógica, o imperativo categórico de kant, preconiza que indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. No entanto, no que tange à questão do bullying virtual há uma lacuna no dever moral quanto ao exercício da denúncia. Nessa perspectiva, pode-se dizer como antiéticas - definidas por Aristóteles, como atitudes que não visam o bem comum- as atitudes tomadas pela mídia e pelos indivíduos, que não denunciam tais ações que acontecem nas redes sociais, já que, poderão afetar psicologicamente, verbalmente e moralmente os que sofrem com o cyberbulying.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com a Estatuto da Cultura devem desenvolver palestras em escolas, para alunos de ensino médio, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o cyberbullying e atingir um público maior. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema, e a coletividade alcançará a Utopia de More.