A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 25/05/2020
A Guerra Fria teve como um de seus marcos o desenvolvimento de inúmeras tecnologias, dentre elas, o sistema de computadores e internet. De modo análogo, hodiernamente, a internet é capaz de integrar pessoas em vários lugares do mundo e realizar serviços diversos. No entanto, a presença de “haters” - pessoas destinadas a prática de bullyng virtual – é uma realidade presente nas redes sociais. Nesse contexto, há fatores que não podem ser negligenciados como a invasão de privacidade e o discurso de ódio proferido por esses anônimos. Porém, decerto, é imprescindível que essa realidade mude, pelos riscos que traz tanto à integridade dos usuários quanto ao desenvolvimento social.
Em primeiro plano, é importante salientar a invasão de privacidade nas redes sócias, em que pessoas de má fé agem sem limites, no intuito de ferir a integridade de usuários. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar as ideias do filósofo Jean-Jacques Rousseau, o qual afirma “O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado”. Com base nisso, é nítido o uso de dados pessoais vazados entre os usuários, isso se reflete no caso da atriz Carolina Dieckmann, que teve suas fotos íntimas vazadas e compartilhadas na internet, tal fato gerou um crime virtual. Dessa forma, fica claro que usuários das redes estão expostos diariamente a riscos como esse, o que leva a causar constrangimento e insegurança quanto o acesso. Sob essa ótica, é visível as amarras que, segundo Rousseau, estão dispersas na sociedade.
Outrossim, importa discutir o quanto a violência se faz presente nas redes sociais. Para compreender melhor essa ideia, é oportuno mencionar o que propõe o educador Paulo Freire, o qual assevera “Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém”. Infere-se, assim, que associar uma pessoa a um acontecimento que possa denegrir sua vida pessoal é uma forma de violência, é discurso de ódio que pode causar consequências como difamação, calúnia e insultos. Nesse contexto, é visível o quanto alguém se apropriar de uma pessoa para causar o mal é nocivo ao bem estar social, uma vez que, ter a imagem pessoal difamada abala o psicológico da vítima, e causa danos que podem ser irreversíveis. Nesse cenário, cabe refletir a ideia de Paulo Freire, logo, ninguém pode suprimir outra vida.
Diante do exposto, medidas são necessárias para atenuar a presença de haters nas redes sociais. Para isso, os regulamentos das redes sociais devem aplicar um sistema de segurança mais efetivo - em que seja notificado os casos de atentado dos haters - para que as pessoas possam navegar nas redes sociais com privacidade. Ademais, mídias e núcleos tecnológicos podem divulgar projetos e campanhas informativas de como as pessoas terem precaução e conhecer mecanismos que dificultem o acesso de haters, isso trará autonomia ao usuário. Sendo assim, poder-se-á minorar a banalização nas redes.