A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 09/06/2020

Notavelmente, a internet, desde sua origem, garante diversas facilidades e avanços para a sociedade, como a ampliação da possibilidade de comunicação, a rápida transmissão de informações  e a comercialização de produtos. No entanto, há também aspectos negativos gerados pelo acesso à rede, dentre os quais se destacam os crimes de ódio e o cyberbullying -  comportamentos deliberados, repetidos e hostis praticados por um indivíduo com a intenção de prejudicar o outro, realizado por meio das tecnologias digitais. Nesse sentido, convém analisar a não identificação do agressor como fator que impulsiona essa prática, além das consequências sofridas pelas vítimas, com o intuito de compreender  essa questão e encontrar possíveis meios de solucioná-la.

A priori, observa-se que a problemática supracitada é derivada de uma realidade preexistente, tendo em vista as agressões presenciais já ocorrentes na sociedade antes da difusão do uso da internet. No entanto, o meio virtual revela-se extremamente propício para a prática das intimidações, difamações e da violência psicológica, tendo em vista a possibilidade de ocultação da identidade do agressor, o que impossibilita que os demais usuários o denunciem ou o repreendam.  Perante esse cenário, as vítimas, de acordo com o pesquisador Ronald Iannotti, se sentam isoladas, desumanizadas ou impotentes no momento do ataque.

Outrossim, é preciso compreender os efeitos sofridos pelos alvos do cyberbullying ou dos crimes de ódio nas redes. Nesse ponto, convém destacar que esse tipo de violência psicológica transcende as fronteiras do espaço físico e do tempo, visto que se mantém por tempo indeterminado no espaço virtual. Assim, segundo a psicóloga Patricia Costa, seus impactos podem ser ainda mais prejudiciais, dentre os quais se destacam a falta de concentração, a tristeza e o sentimento constante de humilhação e insegurança, na medida em que não há onde a vítima possa se esconder. Por isso, o auxílio vindo da família, amigos e até mesmo de profissionais é de extrema importância na diminuição do sofrimento do alvo desses ataques, bem como na prevenção de consequências graves dessa forma de violência.

Portanto, a questão supracitada requer intervenções. Assim, é preciso que os controladores das redes sociais atuem no combate à difusão de crimes de ódio e ofensas a indivíduos, com a ampliação da fiscalização do cumprimento de suas normas de utilização e a inativação de contas que infringem tais diretrizes, a fim de mitigar tais ocorrências. Ademais, o governo deve auxiliar as vítimas desses atos de violência, com a ampliação do atendimento psicológico gratuito e adequado aos pacientes, de modo a atuar sobre o significado valorativo atribuído às experiências passadas. Dessarte, poder-se-á garantir a segurança e o bom convívio entre os usuários da internet.

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