A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 30/05/2020
O Massacre de Realengo refere-se à cachina ocorrida em 2011 na Escola Municipal de Rio de Janeiro, efetuado por um estudante que teve como motivação o bullying que sofria dos colegas de sala. Nesse sentido, Wellington, autor do crime, havia deixado uma carta de suicídio relatando as práticas que cometiam contra ele, evidenciando-se que usou a internet para planejar esse delito. Fora do episódio, é fato que a motivação do acontecimento ainda persiste na contemporaneidade brasileira: gradativamente, a exposição exagerada na internet e a má fiscalização de agências virtuais corroboram para a articulação de um novo âmbito de crime de ódio e a violência social, o cyberbullying.
É relevante abordar, primeiramente, em função das novas tecnologias, as privacidades dos internautas estão cada vez mais expostos, visto que as redes sociais permitiram a visualização de informações privadas a partir da interação entre usuários. Diante disso, muitas pessoas acabam usando essa exposição como intermédio para praticar algum delito. De acordo com a escritora Virginia Wolf, de tudo que existe, nada é mais estranho do que as relações humanas, com sua capacidade de mudanças e irracionalidade, parafraseando, a partir de qualquer interação humana, abriu portas para a violência social vista no massacre de Realengo.
Paralelo a isso, é notório que a negligência das agências virtuais seja o promotor do problema. Esse cenário antagônico deriva da baixa fiscalização virtual no que se refere aos crimes de ódio cometidos na internet, uma vez que, em 2015, de acordo com o blog JusBrasil, mulheres influenciadoras receberam discursos machistas em diversos meios de comunicações. Em um episódio da série televisiva Black Mirror, por exemplo, uma rede social estava sendo usado para a disseminação de ódio nas redes sociais, culminando na morte do alvo. Isso evidencia que os responsáveis pelo site não demostraram nenhuma ação para evitar que isso acarretasse. Assim, um âmbito virtual sem regras acaba sendo um lugar propício para que os usuários dispersam o discurso de ódio.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para solucionar o atual quadro da violência. Para que isso efetue, urge que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem os riscos da exagerada exposição, incentivando a adoção de ferramentas que melhore a privacidade, e a denúncia de relatos de discurso de ódio. Além disso, as empresas de virtuais necessitam de uma melhor fiscalização, punindo àqueles que praticam o cyberbullying, criando, assim, um âmbito harmônico na internet. Desse modo, em médio e longo prazo, será possível evitar novas ocorrências de massacre como em Realengo.