A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 02/07/2020

O filósofo Aristóteles já dizia que o homem é um ser político e social, o qual necessita viver em conjunto com outros. No entanto, a contemporaneidade apresenta novos desafios para a cordial interação humana, e no meio virtual, os crimes de ódio e cyberbullying são graves problemas. Nesse contexto, cabe avaliar como o sentimento de impunidade e a agressividade em massa contribuem para tal questão.

É fato que, na internet, os usuários, em grande parte, sentem que não há punições ao mau comportamento. Nesse viés, isso acontece por conta da distância geográfica entre os interlocutores, o que diminui o temor do agressor frente a respostas físicas do ofendido. Ademais, apenas recentemente surgiram as primeiras leis para penalizar ofensas virtuais, o que faz com que canais de denúncia e possíveis punições não sejam amplamente conhecidas pela população. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, a convivência humana é por natureza conflituosa, o que evidencia que, no mundo virtual, o ser humano pode ser agressivo se sentir que não haverá qualquer consequência a seu comportamento.       Além disso, é imperativo ressaltar a agressividade em massa como fator nessa problemática. De acordo com o psicanalista Sigmund Freud, quando reunidos em multidão, os homens ganham força para cometer atos que, sozinhos, não teriam coragem. A partir desse ponto de vista, observa-se que, sobretudo nas redes sociais, esse “comportamento de manada” faz com que muitos usuários emitam falas preconceituosas ou até mesmo criminosas por sentirem que todo mundo está fazendo isso. Consequentemente, o meio virtual aparece como hostil e incontrolável, e por impulso e falta de educação para o uso, esse espaço parece ser onde as pessoas expressam o pior de si.

Portanto, é necessário que os crimes de ódio e ofensas na internet sejam enfrentados. Dessa forma, cabe ao Ministério da Justiça a ação de determinar a suspensão de contas em redes sociais de julgados por crimes na web, por período proporcional à gravidade do delito, por meio de autorização via projeto de lei, com a finalidade de confrontar o sentimento geral de impunidade. Outrossim, o Ministério da Educação deve orientar as escolas para a realização de palestras educativas sobre o tema, abertas para a participação dos familiares dos alunos, o que pode resultar na diminuição da violência coletiva na rede. Assim, tal como descrevia Aristóteles, os homens continuarão conectados entre si, mas com interações mais harmônicas e socialmente saudáveis.