A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 19/11/2020
“O obvio é a verdade que ninguém quer ver”. Na ótica de Clarice Lispector, o fácil acesso a internet no cotidiano contribui para o aumento de crimes de ódio e o cyberbullying na rede, uma vez que a ausência de conhecimento virtual por boa parte dos indivíduos e, sobretudo, o uso inconsciente são empecilhos dessa mazela, como Clarice postulou “ninguém quer ver”. Ora, uma imagem de omissão e, por tabela, de desleixo que apadrinha o futuro.
Essa assertiva deriva, em especial, do papel apático da sociedade nessa temática. De acordo com Platão, “A parte que ignoramos é muito maior que tudo quando sabemos”. Sob esse viés, quando imagens de preconceito, atitudes hostis e, por extensão, o recrudescimento dos crimes virtuais se tornam comuns, é indicativo para se exigir uma ação mais urgente da coletividade, na qual o absentismo de respeito e empatia nas redes sociais são fatores que acarretam no índice de depressão, solidão e, sobretudo, falência através dos delitos nas mídias, uma vez que essa “parte ignorada” colhe todo o azedume dessa agrura. Logo, mostra-se um olhar coletivo ineficiente nessa área.
Por sua vez, outro vetor é a pífia atuação do Poder Público nessa esfera. Na dialética de Jon Locke, o qual construiu a tese de que os indivíduos cedem confiança ao Estado que, em contrapartida, deve garantir segurança a sociedade. Nessa perspectiva, percebe-se que o Governo não efetiva tal princípio, pois a violência e o desrespeito estão bastante presentes nas mídias digitais como a Sarfenet publicou que cresceu em 500% o número de indivíduos que penou com essa mazela. Nesse sentindo, é fulcral que o Poder Público abdique do papel de inércia, com o fito de haver melhorias.
Infere-se, portanto, que nessa problemática o olhar coletivo deve promover a tarefa de discussão acerca dessa temática, por meio da abertura de canais de denúncia e aumentar o compartilhamento aos perigos dos delitos de ódio, a fim de barrar o percusso de todo o caos. Ademais, o Estado precisa investir no desenvolvimento de tecnologias que facilitem o combate a essa assertiva, por intermédio de verbas destinadas para essa esfera e ampliar as punições dessas infrações, com o intuito de tonificar a segurança da coletividade nesse meio. Desse modo, para que a citação de Clarice Lispector deixe ser uma realidade brasileira.