A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 28/08/2020

No filme “WiFi Ralph”, da Disney, o personagem principal, Ralph, após publicar um vídeo em uma rede social, sente-se extremamente triste ao ler os comentários maldosos que alguns desconhecidos fizeram sobre a sua aparência. Fora da ficção, o cyberbullying sofrido pelo personagem e os crimes de ódio são muito comuns na Internet, seja pela naturalização desse ódio, seja pela inércia das redes sociais.

Primeiramente, cabe salientar que insultos e difamações são, muitas vezes, interpretrados como piada pelos indivíduos. Nessa sentido, no documentário “O riso dos outros”, comediantes atribuem o sucesso de piadas ofensivas e discriminatórias aos preconceitos existentes no próprio público. Analogamente, na Internet, muitas pessoas utilizam discursos de ódio ou praticam cyberbullying pois veem isso como humor ou não reconhecem esses comportamentos como prejudiciais, o que é grave.

Ademais, o insuficiente nível de combate a essas condutas apresentado por redes sociais como o Twitter contribuem com a problemática. Sob esse viés, a cantora americana Demi Lovato, em 2019, afirmou ter desativado a sua conta no Instagram devido aos constantes ataques e, até mesmo, ameaças de morte que sofreu. Essa conjuntura e a sua frequência evidencia o fracasso dessas redes na luta contra esses obstáculos, o que precisa, urgentemente, ser corrigido.

Portanto, para que cenários como o de “WiFi Ralph” fiquem apenas na ficção, são necessárias ações efetivas. Assim, cabe à sociedade civil organizada criar e, por meio de abaixo-assinados, pressionar o Poder Legislativo a aprovar um projeto de lei intitulado “Terra com Lei”, o qual estipule, às redes sociais, medidas de combate à problemática, a fim de combater o cyberbullying e os crimes de ódio existentes nelas. Além disso, cabe à Mídia criar campanhas publicitárias que retratem, especificamente, as possíveis consequências legais dessas práticas, a fim de conscientizar os cidadãos sobre a importância do respeito na Internet. Essas campanhas devem ser divulgadas por meio do rádio, das redes sociais e da televisão.