A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 24/09/2020
O bullying - termo que se refere aos constantes insultos praticados a outrem - estão presentes no corpo social desde tempos antigos. Entretanto, com o uso contemporâneo das redes sociais e a facilidade da propagação de informações, esse ato recebeu um novo ramo que passa por constante crescimento: o cyberbullying, que possui as mesmas características, porém, no cenário online. Este tipo de violência, devido à falta do controle nas escolas e a influência dos adultos na prática, é responsável por prejudicar psicologicamente inúmeros adolescentes. Logo, o debate sobre o tema é de urgência.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a falha do controle do bullying dentro das escolas facilita a intensificação da violência virtual. Esse contexto pode ser observado no filme “Cyberbully” em que a adolescente, estudante de uma escola que falhava no controle do bullying, desenvolveu sérios problemas psicológicos após sofrer constantes insultos online, mesmo com a ajuda da instituição e da sua família após o início do conflito. Infelizmente, tal fato se aplica na realidade, na medida que as escolas apenas atuam contra essa violência após o problema ter ganhado uma imensa proporção, quando, por outro lado, deveria combatê-lo dentro das próprias escolas, já que o controle das ofensas nas redes sociais é dificultado. Logo, se os centros educacionais carecem de medidas que amenizem esta problemática, isso, nas redes sociais, torna-se impossibilitado de ser reduzido.
Ademais, é inegável apontar a influência dos adultos nas redes sociais no comportamento dos adolescentes. Como observado hodiernamente, os usuários das redes estão inseridos em uma ideologia da “cultura do cancelamento”- o que define os constantes comentários negativos resultantes da necessidade de “cancelar” outrem por sua publicação, por diversos motivos. Apesar do absurdo, este ato passa por um crescimento, e é responsável por prejudicar a saúde mental da vítima, como ocorrido com o comediante Whindersson Nunes, que precisou expor suas condições psicológicas para que o público parasse de publicar as ofensas. Esse fato, portanto, torna-se preocupante, visto que mesmo os adultos que deveriam impedir os adolescentes a realizarem tal comportamento, na realidade, praticam-no. Assim, cria-se outro entrave para combater o cyberbullying nos jovens.
Em suma, a implementação de medidas para combater o cyberbullying é de urgência. Devido a falta do controle desses atos nas redes sociais, as escolas devem fornecer palestras, em parceria com psicólogos, a fim de incentivar o debate das consequências desta prática na saúde mental das vítimas, para sensibilizar os alunos a reduzirem a violência. Assim, por meio do controle dentro das instituições, o bullying pode ser prevenido de chegar até a internet e conquistar as absurdas proporções do cyberbullying.