A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 15/10/2020

Atualmente, muitos brasileiros que expõe na internet suas opiniões políticas sofrem ataques pessoais em massa da parcela de internautas que discordam daquele posicionamento, como foi o caso do influenciador Pirula. Porém, esses ataques, chamados de “cyberbullying”, não são causados apenas por divergências políticas e podem atingir diversos brasileiros por diferentes motivos. Diante disso, é flagrante o desafio para combater esse grave crime digital, que é ainda prejudicado tanto pela ineficácia de ações políticas quanto pela negligência de instituições formadoras de valores comportamentais.

Em princípio, por o meio virtual ser muitas vezes tido como inofensivo e pelas redes sociais serem vistas como serviço de lazer, grande parte das famílias e outras instituições sociais, como as escolas, menosprezam os ataques virtuais e omitem-se no repasse de informações acerca desse tema, além de não criarem um ambiente seguro e acolhedor para que esse assunto seja levantado sem julgamentos. Com isso, muitas pessoas têm pouca ou nenhuma instrução de como se proteger do “cyberbullying”, o que facilita a ação dos criminosos. Nesse sentido, verifica-se que, mesmo após avanços na área da justiça, ainda há muita negligência a respeito de ataques virtuais por parte dos brasileiros, o que faz com que, muitas vezes, os direitos do cidadão permaneçam apenas no papel.

Ademais, no contexto relativo à questão pública, é flagrante a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para combater essa prática. Prova dessa debilidade pode ser verificada com frequência na plataforma digital Twitter, onde diariamente internautas sofrem ataques em massa, como foi o caso da estudante que, em 2020, tatuou o contorno da África em sua costela e recebeu diversos ataques gratuitos, o que exibe a atual gravidade do problema e a falta de medidas efetivas para combate-lo. Logo, indubitavelmente, é necessário maior engajamento por parte das autoridades competentes para resolver a questão do bullying virtual no Brasil.

Portanto, com o objetivo de combater o crime de “cyberbullying” no Brasil, é necessário que o governo federal intensifique informes educativos à população, por meio das redes sociais ou de parcerias com o Ministério Público em campanhas de esclarecimento popular, os quais elucidem cada vez mais pessoas sobre a legislação associada ao combate à crimes virtuais e sobre os mecanismos de denúncia dessa prática vil, como o Disque 100. Além disso, urge que mais famílias e escolas, como instituições fundamentais para a formação psicossocial de crianças e adolescentes, previnam abordagem de “haters”, mediante, respectivamente, debates domésticos e seminários ou cartilhas estudantis, visto que essas práticas têm o potencial de consolidar uma cultura de prudência. Assim, será possível inviabilizar o êxito da ação de indivíduos criminosos.