A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 16/01/2021

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra até o topo de uma montanha, porém, quando estava quase alcançando o objetivo, a rocha rolava morro abaixo por meio de uma força irresistível. Fora da ficção, hodiernamente, o ciberbullying pode ser comparada à rocha de Sísifo, pois, quando há uma tentativa de combatê-lo, ele sofre a ação de forças contrárias, como a banalização desse tipo de violência e a ineficácia do Estado na contenção do problema. Por isso, torna-se necessário o debate sobre o ciberbullying no Brasil.

Primeiramente, é importante destacar que há uma banalização, por parte da sociedade, em relação ao “bullying” praticado na internet. Nesse sentido, de acordo com conceito de “Violência Simbólica”, do sociólogo francês Pierre Bourdie, a violência não está necessariamente relacionada ao contato físico e, existem outros tipos de agressão: moral, psicológica, verbal. Apesar da conceituação, percebe-se que muitos indivíduos desconsideram as formas de importunação que não envolvam alguma violação física, esse pensamento é ainda mais compartilhado quando se trata de crueldades na internet, haja vista que a agressão não ocorre presencialmente, e sim, de maneira virtual. Desse modo, o ciberbullying é taxado como uma brincadeira ou “frescura“ por algumas parcelas da população.

Em segundo lugar, vale ressaltar a ineficiência do Estado para mitigar o impasse. Sob essa ótica, é relevante citar que a Lei Antibullying, instituída no Brasil, tem a função de combater o “bullying” em todas as esferas da sociedade. Entretanto, observa-se que o governo tem falhado na aplicação da lei, principalmente no ambiente on-line, visto que as práticas do ciberbullying ainda são muito recorrentes no Brasil, o que acarreta em consequências negativas aos indivíduos que sofrem com essa agressão. Nesse viés, a adolescente Amanda Todd, por exemplo, se suicidou após ser vítima de ciberbullying por longos anos, expondo a gravidade desse assunto na atualidade.

Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Assim, é mister que o governo federal, por meio de campanhas publicitárias propagadas nas redes sociais, como o “Twitter", transmita informações à população acerca do ciberbullying e dos diversos tipos de violência existentes na sociedade, a fim de conscientizar os cidadãos sobre os impactos que essas agressões, mesmo não sendo físicas, causam na vida dos indivíduos. Além disso, o Poder Executivo deve, por meio de reuniões, discutir novas maneiras para a aplicação da Lei Antibullying, com intuito de torná-la mais eficiente e diminuir a incidência das práticas de “bullying” na nação.